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CIDADES
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008, 21h:25

QUIMIOTERAPIA

Tramento pela Unimed está em risco

ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
Pelo menos 300 pacientes que estão em tratamento de quimioterapia pela Unimed Cuiabá podem ficar sem atendimento a partir da próxima semana. As três clínicas particulares conveniadas ao plano de saúde anunciaram que não vão mais atender por meio do convênio por conta de problemas contratuais e desentendimento em relação ao valor pago pelas sessões. Um representante das clínicas Nutec, Oncomed e Coc informou que há cinco meses os empresários discutem a renovação do contrato. Mas a Unimed estaria disposta a pagar valores abaixo dos cobrados, segundo ele. A celeuma seria apenas em relação à Unimed de Cuiabá. Segundo o representante, o valor sugerido pelo plano de saúde compromete a estrutura financeira das clínicas. A psicóloga Angélica Luis Simioni acompanha o tratamento quimioterápico de sua mãe, de 54 anos. Nesta semana, ela foi informada pelos funcionários da Oncomed, onde faz tratamento, que a partir da sexta-feira não serão mais feitos atendimentos pela Unimed. Segundo a cliente, os funcionários da clínica justificaram a suspensão dos serviços alegando problemas contratuais com a Unimed. “Não podemos ser prejudicados por problemas entre a clínica e a Unimed. A quimio (quimioterapia) não pode ser interrompida. Minha mãe corre risco”, protesta. Angélica registrou queixa ainda ontem na Ouvidoria da Unimed. Segundo ela, a empresa não tinha conhecimento sobre a futura suspensão dos serviços. A psicóloga também informou que vai procurar ainda esta semana a Promotoria da Cidadania e Defesa do Consumidor de Cuiabá já que, assim como ela, outras pessoas também serão prejudicadas. A mesma situação aconteceu com a funcionária pública Nanci Cristina Capioto. Ela acompanha há três anos o tratamento do seu pai, que tem 70 anos. Nanci recebeu a mesma notícia dos funcionários da clínica. “Meu pai não tem mais condições de fazer cirurgia. A vida dele depende do tratamento”, reclamou. “Meu pai paga Unimed há 15 anos. Eu sou cliente há 20 e quando precisamos não vamos ser atendidos?”, questionou. O presidente da Unimed Cuiabá, médico Kamil Fares, informou que não foi comunicado sobre a suspensão dos serviços pelas clínicas. Ele admitiu que o processo de renovação dos contratos está emperrado há alguns meses. No entanto, o médico justificou que os desentendimentos acontecem por conta de falhas no fornecimento de informações sobre os medicamentos e drogas usadas no tratamento dos pacientes. Segundo Fares, as clínicas enviam as informações. Porém, segundo o médico, há notas fiscais que foram rasuradas. “Nós temos o dever de saber a qualidade, a procedência e o preço dos medicamentos usados em nossos pacientes”, argumentou. Segundo Fares, essa é uma maneira de garantir qualidade aos clientes do plano de saúde. “Quando você vai à farmácia, você vê remédios com o mesmo princípio ativo, mas de diferentes fabricantes e preços”, exemplificou. Mesmo com o desentendimento, ele afirmou que a suspensão imediata dos serviços não é justificável e, caso os pacientes não forem atendidos, irá acionar judicialmente as clínicas. “Vamos procurar a Justiça porque há contrato vigente e eles estarão descumprindo-o”, frisou. Ele também informou que, caso haja suspensão dos atendimentos, a Unimed irá construir uma clínica de quimioterapia própria para atender os clientes. “Podemos construir e entregar uma unidade de qualidade em 90 dias”, garantiu.

Edição EDIÇÃO 16965




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