CIDADES
Sábado, 07 de Março de 2009, 11h:43
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CHALANA
Tragédia completa 1 ano
Acidente em Poconé vitimou 7 pessoas e segue impune, enquanto negligência permanece no curso das águas
Há um ano naufragava no Pantanal mato-grossense, no rio Cuiabá, em Poconé (104 km da Capital), a chalana Semi To a Toa, levando consigo nove vidas na madrugada de 9 de março de 2008. A maior tragédia fluvial já registrada na região permanece impune. E desde então, dados da Marinha do Brasil revelam que as infrações cometidas pelos proprietários de embarcações continuam sendo detectadas, colocando a segurança de turistas e trabalhadores em risco. Durante o ano de 2008, a Marinha fiscalizou 3.156 embarcações e autuou 665 proprietários por infrações em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a maioria por estar em desacordo com as normas no que diz respeito à habilitação dos condutores, estrutura dos veículos, falta de registro das embarcações, não cumprimento das normas regionais de tráfego e por não portar documentos. No total, 918 notificações foram emitidas nos dois Estados. A Marinha não dispõe de dados isolados de Mato Grosso. A instituição posiciona, via e-mail, que no procedimento que apura o acidente com a chalana Semi To a Toa, comprovou-se que houve falha operacional e material. Contudo, questionada se a fiscalização foi intensificada após a tragédia e se há um controle sobre o número de condutores e embarcações devidamente habilitadas em Mato Grosso, a corporação se omite, informando apenas que as vistorias são regulares. A gente tenta superar o que passou, mas é evidente que, infelizmente, nada mudou. Sequer temos um engenheiro naval no Estado para fazer a perícia da embarcação. Se outro acidente como esse acontecer, será que há estrutura para socorrer vítimas e lidar com o problema desta vez?, questiona incrédulo Gian Scarabottolo, de 30 anos, filho de Ítalo Scarabottolo, vítima fatal do acidente. Gian lamenta um ano sem solução do caso e relembra o dia mais difícil desde que tudo aconteceu. O Natal foi muito duro. Toda a nossa família reunida e só faltava ele. Foi muito triste. A família Scarabottolo agora aguarda o fim do imbróglio para a retirada da chalana de dentro do rio Cuiabá. Só a perícia na embarcação permitirá a conclusão do processo penal, diz. Contudo, apesar da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado (Sejusp) afirmar que está na fase final o processo licitatório para definir a empresa que realizará a remoção, ainda não há prazo para a conclusão da tarefa. O delegado de Poconé, Walter Cardoso, que preside as investigações criminais, afirma que sem a perícia no barco o inquérito fica emperrado. O que sabe-se até o momento é que o piloto que conduzia a embarcação, José Gonçalves Souza, não era habilitado e que o barco não possuía registros no órgão para transportar turistas. O dono da embarcação, Semi Mohamed Said, disse por telefone acreditar que não cometeu erros. Fiz o que todo mundo faz na região. Falta orientação da Marinha aos proprietários de embarcação. Lá é comum pessoas sem habilitação, mas que tem muita experiência para conduzir os barcos. Estou fazendo a minha parte para ajudar na retirada do barco, mas a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, reclama. O promotor de Justiça de Poconé, Rinaldo Ribeiro, afirma acreditar ser necessário o reforço da estrutura da Marinha para fiscalizar a atividade na área, mas pontua que isso não exime os empresários. Na época, a chalana afundou em 25 segundos. Treze pessoas conseguiram sobreviver, mas sete turistas e duas cozinheiras morreram afogados, presos nas ferragens.