CIDADES
Quarta-feira, 25 de Março de 2009, 20h:56
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PROTESTO
Trabalhadores vão às ruas contra crise
Ato em repúdio a demissões e altos juros praticados no país reunirá sindicatos e movimentos sociais; professores da UFMT cruzarão braços
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Os trabalhadores e o povo não podem pagar pela crise econômica mundial!. É com esta visão que movimentos sindicais, sociais e estudantis vão às ruas na próxima segunda-feira (30), em Cuiabá, para cobrar a manutenção dos empregos sem redução dos salários, dos investimentos públicos e redução das taxas de juros. Ao menos professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) devem cruzar os braços por 24 horas. O protesto denominado Dia de Mobilização e Lutas em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais e Desenvolvimento com Valorização do Trabalho tem caráter internacional e foi discutido ontem entre representantes de movimentos e centrais sindicais de Mato Grosso. De acordo com a presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB) e do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Sintra/MT), Nara Teixeira, o Estado ainda não sente de forma drástica os reflexos da crise devido ao seu potencial e crescimento econômico. Porém, ela lembra que determinados setores podem ser mais afetados, como o bancário e indústria, especialmente no segmento de exportação. Uma das preocupações é como a crise vai afetar as campanhas de negociação salarial. O presidente da Associação dos Docentes da UFMT, Carlos Alberto Eilert, lembra que a categoria entra nos próximos dias em campanha salarial. Segundo a entidade, levando-se em consideração as perdas salariais desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, o percentual de correção deveria ser em torno de 147%. Porém, o governo federal já anunciou que poderá não ter como cumprir com os aumentos salariais já prometidos ao funcionalismo, conforme Medida Provisória 431/2008. Como forma de protesto, no dia 30 deverá haver paralisação de 24 horas, informa Eilert. Outro temor é quanto à perspectiva da crise mundial reduzir a atividade econômica e, por tabela, atrapalhar a União, os Estados e municípios a arrecadarem impostos. Isso, apesar da obrigatoriedade por lei da aplicação de percentuais mínimos em áreas importantes como saúde e educação, irá ocasionar diminuição dos recursos. Vai diminuir as verbas para setores fundamentais como educação, saúde e moradia. Já o presidente do Partido Comunista do Brasil, Miranda Muniz, que também integra a mobilização, lembra que para sair da crise os Estados Unidos (EUA) reduziram drasticamente as taxas de juros, o que no Brasil aconteceu de forma muito tímida. Taxa de juro alta não gera riqueza ou produção. Com taxas baixas, aplica-se mais na produção, que gera emprego e movimenta a economia. Outra saída para os efeitos da crise apontada por ele é um maior investimento na reforma agrária. O protesto que acontece na próxima segunda-feira também visa reforçar que a classe trabalhadora não pode abrir mão de seus direitos. Não foram os trabalhadores que criaram a crise. Nem o povo. A gente não pode pagar por ela.