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CIDADES
Terça-feira, 04 de Agosto de 2009, 22h:08

ALCOOPAN

Trabalhadores apelam ao MP, na Capital

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Depois de passar a noite em frente à sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Cuiabá, cerca de 60 trabalhadores da Usina Alcoopan, localizada no distrito do Chumbo, a 30 quilômetros da cidade de Poconé, se dirigiram ontem a pé para a sede do Ministério Público Federal (MPE). Eles cobram o pagamento de salários atrasados e demais direitos trabalhistas. De acordo com o representante dos trabalhadores, Silvano Antônio Pereira, são cerca de 300 pessoas contratadas para a colheita de cana, boa parte oriunda de estados nordestinos como Alagoas, Sergipe e Ceará. “Muitos estão sem receber há três meses”, contou. “Não temos dinheiro até para comer”, acrescentou. Silvano Pereira contou que os trabalhadores foram contratados sob a promessa de ter alojamento e o pagamento seria feito em dia, de acordo com a produção de cada um, sem um valor estipulado. “O Santeiro (funcionário da usina) me ligou prometendo que o salário estava em dia e que eu ia ganhar bem. Minha família está me esperando e tenho despesas para pagar”, comentou. O grupo que veio do Nordeste é formado por cortadores, operadores de máquinas e motoristas. Entre eles, está também Antônio Patrício de Olanda, que reclama da situação. “Está sendo muito difícil. Temos família para sustentar e que está passando necessidades”, disse. Segundo Silvano Pereira, boa parte dos trabalhadores não tinha alojamento e estava morando em casas alugadas. “Fomos despejados por que não tínhamos com o que pagar o aluguel”, disse. “Agora, estamos dormindo ao relento, vivendo como mendigos, apesar de sermos trabalhadores”, lamentou-se. Além de receber os atrasados, eles querem que sejam dadas condições para que possam voltar para os seus estados. Representantes dos manifestantes afirmam ainda que há funcionários, que moram em Poconé e municípios vizinhos, em situação ainda mais delicada, pois têm contrato com a Alcoopan desde o ano passado. “Tem gente sem receber salários do ano passado”, contaram. Os manifestantes aguardavam para o último dia 14 a liberação, via Justiça do Trabalho, de cerca de R$ 700 mil por parte do grupo Zulli, controlador da Alcoopan. Ainda para ontem à tarde, eles tentariam uma reunião com representantes do Ministério Público Federal. A reportagem tentou falar, por telefone, com diretores da usina, mas não conseguiu.

Edição EDIÇÃO 16964




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