CIDADES
Quarta-feira, 09 de Junho de 2010, 20h:36
A
A
SEM INTIMAÇÃO
Testemunha de crime é presa por desobediência
Fato ocorreu em 2004, para prisão de caçadores. Servidor da Sema está licenciado por doença
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
O engenheiro florestal Roberto Correa de Arruda, servidor da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sema), principal testemunha de um crime ambiental ocorrido em Cáceres, foi preso em sua residência após deixar de comparecer a uma audiência de inquirição de testemunhas da qual não tinha conhecimento. A prisão aconteceu há três dias. Arruda foi um dos agentes que participou da operação no Parque Estadual do Guirá, divisa com o Mato Grosso do Sul e a Bolívia, área pantaneira que abriga uma enorme quantidade de animais como onças, antas, cervídeos e outros animais da fauna pantaneira. A operação aconteceu no final de agosto de 2004, e foi motivada pela informação de que fazendeiros da região pagavam a caçadores até R$ 2 mil por abate de onça pintada, que comiam bezerros. O Diário noticiou o fato em matéria publicada no dia 2 de setembro daquele ano, quando a equipe prendeu em flagrante o caçador Éderson Viaro, conhecido como Dérsão. Com ele, foram encontradas a cabeça e a cauda de uma onça pintada prova material do crime ambiental. O processo, que tem o agente da Sema como testemunha, tramita na Justiça Federal de Cáceres. Na época, o caçador pagou fiança e, agora, responde em liberdade. No último dia 7, o agente Roberto Arruda, que está afastado de suas funções devido a problemas de saúde, foi preso em sua residência sob acusação de crime de desobediência. Ele não teria comparecido a uma audiência para a qual não foi diretamente intimado. A intimação foi encaminhada à Sema e não chegou às mãos do servidor. Arruda foi informado de uma audiência um dia antes da data de sua realização, em Cáceres, e apresentou atestado médico justificando sua ausência. Na ata da audiência, o Ministério Público Federal pediu a expedição de mandado de condução coercitiva às testemunhas ausentes. No mesmo documento o juiz federal considerou a ausência um crime de desobediência e decretou a prisão dos servidores públicos arrolados como testemunhas. Em 2004, durante a realização da operação, o crime ambiental foi flagrado na fazenda São Sebastião, de propriedade da família Braga, de Mirassol DOeste. A equipe da Sema estava a trabalho na região mapeando as trilhas do Parque Estadual do Guirá e investigando as denúncias sobre o abate de onças, e encontraram os caçadores no entorno do parque. Com eles, estavam 19 cães americanos farejadores, atrelados par a par e usando coleiras de proteção. Na época, o fiscal Roberto de Arruda informou que Éderson tinha em sua casa, em Lambari DOeste, região da Grande Cáceres, 88 cães e uma onça, além de um verdadeiro arsenal, sendo considerado um caçador experiente.