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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 07 de Novembro de 2015, 13h:29

FERTILIZAÇÃO IN VITRO

SUS não oferece opção em Mato Grosso

Único serviço que existia, no Hospital Universitário Júlio Muller, fechou as portas por falta de estrutura e profissionais

ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Mato Grosso, há pelo menos três anos é solitária a luta das mulheres com dificuldade ou impossibilidade de engravidar pelo processo natural. Não tem apoio na área de pesquisa e formação para o exercício da medicina, tampouco no serviço público de saúde. “Solitária” é a definição dada pelas mato-grossenses que integram o grupo “Tentantes Mato Grosso”, que reúne quase 300 participantes. É que o único serviço que existia, no Hospital Universitário Júlio Muller, da UFMT, fechou as portas por falta de estrutura e profissionais habilitados. Além da instituição do debate nas redes sociais, como fizeram no Facebook e WhatsApp, o grupo elaborou um abaixo-assinado em defesa da instalação do serviço de reprodução humana ou da pactuação com outros centros médicos do país. Aos 35 anos, Elisângela dos Anjos teme que a longa espera pela realização do sonho de ser mãe chegue tarde ou nem aconteça. Há alguns anos, conta, fez uma fertilização in vitro, procedimento que lhe custou R$ 16 mil. Para essa primeira tentativa, o marido arriscou perder o único carro da família, vendendo-o para investir no sonho do casal. Infelizmente, diz Elisângela, não deu certo. Desde então, Elisângela ingressou com dois processos na Justiça. Um reivindicando que seu plano de saúde cubra os custos. O outro, para que o SUS (Sistema Único de Saúde) lhe ofereça o serviço, seja em Mato Grosso ou outro estado pelo processo de TFD (Tratamento Fora do Domicílio). Para Elisângela é difícil entender porque a infertilidade e outras questões que dificultam a gravidez não entram na lista de doenças reconhecidas pela Anvisa. “O SUS faz cirurgias de redução de estômago e mudança de sexo, por exemplo, mas não oferece na rede serviço de reprodução humana”, reclama. Já Mariana Isabel Pereira Vieira, 28 anos, paralelamente ao sonho da maternidade carrega as sequelas psicológicas geradas pelos sete abordos espontâneos e pela perda do único filho cuja gestação conseguiu levar até os nove meses. O bebê dela morreu aos dois meses de vida, durante uma cirurgia para corrigir uma patologia cardíaca grave. Mariana diz que no caso dela, somente um estudo laboratorial para seleção dos embriões, seguido da fertilização in vidro, lhe possibilitaria uma gravidez sem a má formação que provoca o aborto ou morte pós-nascimento. Pelos cálculos de Mariana e do marido Paulo da Silva Vieira, o sonho de ter um bebê que sobreviva não sairia por menor de R$ 30 mil. De acordo com ela, a parte mais cara é a seleção genética dos embriões, R$ 1,4 mil, cada. Conforme ela, os médicos dizem que seria necessário estudar as alterações genéticas de pelo menos 10 embriões. Com um casamento sólido, de 10 anos, Mariana e o marido ainda sonham em ter um filho. Andreia Brito já passou dos 40 anos (42) e a cada dia vê mais distante o sonho da maternidade. Ela, que integra a parcela de mulheres que priorizaram a carreira, casou com um homem vasectomizado com o qual somente a fecundação in vitro lhe possibilitaria ser mãe. “A questão é que sem a oferta pelo SUS, a fertilização virou um comércio rentável”, critica. O abaixo-assinado delas deve ser entregue ao governador Pedro Taques. Elas aguardam o agendamento de uma audiência com o gestor para levar o documento e debater questões relacionadas ao tema.

Edição EDIÇÃO 16964




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