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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 13 de Setembro de 2008, 11h:07

DESAFIOS 2009-2012

SUS carece de médicos

Principal gargalo da saúde à próxima gestão é a falta de interesse da categoria na rede pública

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
A escassez de profissionais médicos em Mato Grosso, sobretudo especialistas, é, conforme aqueles que gerem e absorvem o extenso volume de reclamações sobre o atendimento na rede pública de saúde de Cuiabá, a principal causa da insatisfação no setor. Aliado a isso, ainda outras deficiências – centralização dos atendimentos do Estado na Capital e a pouca continuidade dos serviços prestados na atual gestão, em virtude da sucessiva substituição de secretários (cinco ao total) – vão pautar as preocupações do próximo prefeito, a partir de 2009. Gente como o pequeno Marlon, de um ano e quatro meses, sente pelos déficits no sistema de saúde. Por seus pais não terem encontrado auxílio na unidade básica de saúde nesta sexta-feira, o garoto teve de esperar por mais de duas horas na Policlínica do Coxipó, sofrendo com a febre e a tosse seca da bronquite, para ser examinado. O auxiliar de escritório Wilson Medina, pai do garoto, reclama da ineficiência da rede pública. “Se ele tivesse um plano de saúde, estaríamos em casa agora”, pondera. Na rede pública, as tabelas de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS) estariam fortemente relacionadas às lacunas de profissionais na mão-de-obra em Cuiabá. O vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Sandro Rosa, explica que os valores não atraem, tanto quanto da rede privada, profissionais como médicos para atender pela rede pública, especialmente no trabalho posterior à Atenção Básica (as consultas especializadas, aliás, são uma das principais demandas registradas pela Ouvidoria do SUS em Cuiabá). Por outro lado, o custo de R$ 150 mil para se implantar cada nova equipe do PSF (Programa de Saúde da Família) seria muito caro ao município. Para o secretário municipal de saúde, Luiz Soares, existe ainda um outro obstáculo na contratação. Ele estima que Mato Grosso concentra um baixo número de profissionais especializados. Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, calcula o secretário, possuem 50% da força de trabalho médica especializada do Brasil, apesar de não concentrarem nem metade da população brasileira. A mão-de-obra pouco numerosa do Estado ainda se concentra na Capital, o que determina tanto as deficiências com profissionais no setor quanto o próximo dos principais problemas no panorama da saúde municipal. Cuiabá ainda atrai para si pacientes em fluxo de todas as partes do Estado, lotando os 40 leitos de UTI do Hospital e Pronto-Socorro Municipal (HPSMC). Este é o segundo principal problema na saúde de Cuiabá. O inchaço na demanda do HPSMC é resultado de seu próprio caráter de urgência e emergência. Ele absorve uma parcela insustentável da população mato-grossense, pois sua prioridade de atendimento é sobre a vida do paciente em risco, independente de sua procedência. Quanto à referência no Estado, Luiz Soares é enfático. “Se Cuiabá anda mal, o Estado explode”, diz, parafraseando Júlio Müller, que ocupou a mesma pasta na administração do governador Dante de Oliveira. Janaína Penha, da Ouvidoria do SUS em Cuiabá, chega a cogitar a construção de um hospital municipal para conter a demanda. A alta dependência da rede privada para procedimentos de média e alta complexidade seria o terceiro principal problema da saúde pública cuiabana. Sandro Rosa, do Conselho Municipal de Saúde, lamenta pelos convênios do SUS com a rede privada. “A gente paga esse preço”, diz, pois os hospitais particulares teriam a prática de preterir alguns atendimentos especializados em função de outros, menos dispendiosos, comprometendo a prestação dos serviços aos usuários da rede pública.

Edição EDIÇÃO 16961




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