CIDADES
Terça-feira, 02 de Março de 2010, 21h:45
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PÓS-ENXURRADA
Sujeira e buracos tomam de Várzea Grande
População dos 13 bairros atingidos passou o dia ontem retirando lama e calculando prejuízos. Prefeitura não tem autorização para limpar córregos
ANDRÉIA CRUZ
Especial para o Diário
Muita lama, sujeira e buracos. É assim que está Várzea Grande depois da forte chuva de segunda-feira. Famílias que tiveram suas casas alagadas passaram o dia limpando quintais, móveis e calculando os prejuízos causados pela inundação que atingiu cerca de duas mil pessoas em 13 bairros várzea-grandense. A dona-de-casa Lucimeire da Silva, de 33 anos, moradora do Alameda, passou o dia de ontem fazendo limpeza. Joguei fora uma grande quantidade de alimentos, cobertores e outros utensílios domésticos que estavam guardados em local baixo, contou a dona-de-casa, que perdeu o guarda-roupa e a máquina de lavar. Outra moradora, Cristina Pontes da Silva, não esperou pelos serviços da prefeitura. Com uma enxada, ela mesma fez a limpeza da calçada de sua residência, localizada no bairro Jardim Curvo, que estava cheia de lama trazida pela enxurrada. Não dá para ficar esperando pelos serviços públicos. A lama tomou conta de toda a entrada da minha casa, disse. Em uma marcenaria, do bairro Alameda, as perdas foram bem altas, segundo os funcionários da pequena fábrica de móveis. Eles estimavam um prejuízo em torno de R$ 10 mil. A água ultrapassou os suportes onde estavam guardados diversos móveis, principalmente guarda-roupas, disse o marceneiro Cléber Pereira da Silva. Nas ruas dos bairros afetados pelos alagamentos, por onde se anda há sujeira e buracos espalhados por toda parte. O secretário de Serviços Públicos de Várzea Grande, Benedito Pinto, informou que reforçou a frota de caminhões que fazem a limpeza da cidade e espalhou 100 contêineres pelos bairros. Com o apoio do Exército há equipes da prefeitura orientando a população sobre a importância de se retirar o lixo, principalmente aqueles que são criadouros para o mosquito da dengue, explicou. O secretário municipal de Viação, Obras e Urbanismo, Waldisnei Moreno, confirmou que os córregos e canais da cidade precisam ser limpos, porém, ele alegou que o serviço só pode ser feito com autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. A Sema não estava liberando licença ambiental para a realização da limpeza, afirmou o secretário. Ele explicou ainda que, no momento, estão sendo feitos apenas serviços emergências, como a limpeza manual de algumas áreas e a desobstrução de manilhas e córregos que transbordaram nos últimos dias.