CIDADES
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 20h:51
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PARQUE DO LAGO
Subsecretário é condenado a 25 anos por morte de menores
O Tribunal do Júri condenou a 25 anos de prisão o subsecretário de Trânsito e Transportes Urbanos de Várzea Grande, Willian Tadeu Rodrigues Dias, de 45 anos, pelo homicídio qualificado de dois menores no Parque do Lago. O crime ocorreu há 16 anos, período no qual o acusado permaneceu em liberdade. A defesa do tenente reserva da Polícia Militar pedirá a anulação da sentença e solicitará um novo júri popular ao Tribunal de Justiça. O julgamento foi presidido pela juíza Maria Erothides Baranjak no Fórum de Várzea Grande e se estendeu das 13h à 00h30 de anteontem. Na mesma sessão, os jurados absolveram por quatro votos a três o co-réu Antônio Getúlio Vieira, policial militar que também teria participado da execução, de acordo com o Ministério Público Estadual (MPE). Os resultados distintos surpreenderam o subsecretário. Se supostamente ele estava junto comigo no momento do crime, porque as sentenças foram diferentes?, questionou. Dias continuará solto até o julgamento do recurso e publicação do trânsito em julgado da sentença final, caso obtenha a absolvição. Durante o julgamento os jurados entenderam que Dias era o autor dos disparos, mas o absolveram do crime na votação final. A contradição fez com que a juíza solicitasse uma nova votação, cujo resultado foi de quatro votos contra três pela condenação. Os advogados pedirão a anulação porque não existe nos autos provas contundentes, testemunha ocular e nem mesmo perícia na viatura que utilizamos para trabalho que seria onde as vítimas supostamente foram carregadas, mas não houve indícios de nada, defendeu Dias. Segundo ele, sua imagem foi vinculada ao assassinato por uma armação para que fosse afastado do cargo de comandante do 3º Pelotão do Cristo Rei. Acredito que fizeram isso por causa do intenso trabalho que realizávamos na região várzea-grandense na época. O crime ocorrido em 1993 teve grande repercussão. Dias e outros dois policiais militares - um deles já faleceu - foram acusados pelo assassinato dos menores de idade Hemisfério Peres Ferreira e Marcos José do Espírito Santo. Os corpos dos adolescentes foram encontrados em uma lagoa. As vítimas teriam praticado assaltos na área do bairro. A denúncia do MPE apontou que a execução teria acontecido porque os menores articulavam um plano para assassinar Dias, e ele então se antecipou. Os jovens teriam sido detidos em frente ao bar do Gaúcho, em VG, pelos policiais antes do homicídio. Dias alega que fez uma detenção na data, mas que seria de outros dois jovens. Um teria morrido na cadeia e outro de overdose. De Hemisfério e Marcos José ele afirma ter conhecido apenas a má fama. Após o crime, Dias passou oito meses preso. Familiares dos adolescentes executados e outro jovem sobrevivente prestaram depoimento na época contra o militar. Contudo, durante o julgamento, apenas uma testemunha, o dono do bar, foi ouvido. Com uma versão modificada, ele disse não ter certeza de que as vítimas foram colocadas dentro do carro da PM antes de aparecerem mortas. Dias defende sua inocência. Ele está se preparando para virar pastor evangélico e aguarda o resultado de uma ação judicial em que tenta retomar a função na PM, rebaixada após o crime. (KR)