CIDADES
Sábado, 07 de Março de 2009, 11h:45
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MIGUEL SUTIL
Solução a engarrafamentos só em 2020
Engolida pela cidade que antes abraçava, avenida perimetral sufocada por aumento da frota cuiabana tem projeto visionário preso ao papel
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Aglutinada pelo crescimento da malha urbana, há tempos a Avenida Miguel Sutil deixou de exercer a função de Perimetral que antes lhe dava o nome. A estrutura viária foi inaugurada em 1988 na intenção de proporcionar trânsito dinâmico num verdadeiro contorno à cidade. Mas o tempo não só expandiu os limites da Capital como emperrou o fluxo em diversos pontos da principal avenida cuiabana. Um projeto visionário promete resolver os problemas mas daqui a mais de uma década, mais precisamente em 2020. Para isso, são necessárias obras grandiosas, com o objetivo de desafogar e resgatar à Avenida Miguel Sutil o título de artéria de fato eficiente e ágil no trânsito urbano. Isso está previsto pelo Plano Diretor do Desenvolvimento Estratégico de Cuiabá, elaborado pelo Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (IPDU), órgão da prefeitura municipal. O documento é um conjunto de projetos arquitetônicos que estabelece as diretrizes gerais do futuro desenvolvimento do município. Para a Miguel Sutil estão previstas a construção de passagens subterrâneas e uma via elevada, um pequeno viaduto, para agilizar o fluxo da avenida em pelo menos quatro pontos. Quem já não se irritou com os freqüentes engarrafamentos perto da Gráfica Atalaia, na rotatória com a Avenida Jurumirim? Ou com a confusão que impera na rotatória seguinte, com a Avenida dos Trabalhadores? Isso sem contar o perigo que é seguir para o bairro Leblon pelo acesso próximo ao Posto Ebenezer ou até a apreensão em sair do trevo do Santa Rosa, onde a preferencial é transgredida por muitos. O IPDU informa que, para este último caso, o projeto arquitetônico já se encontra protocolado no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Trânsito (Dnit). O projeto de engenharia pode até impressionar, mas a falta de um calendário real, factível, frustra as expectativas de motoristas e deixa o alerta de que, até uma solução palpável, os engarrafamentos que crescem a olhos nus nos últimos anos na cidade se multiplicarão. De acordo com a arquiteta Adriana Bussiki, primeira-dama do município e presidente do IPDU, ainda não existe previsão de início das obras do Plano Diretor na Avenida Miguel Sutil. No caso da rotatória com a Avenida Lava Pés, o Dnit nem tem prazo para analisar. Os projetos orientam o desenvolvimento, não impõem medidas. E antes de serem aplicados há todo um processo à parte, que pode se estender indefinidamente, explica a arquiteta, frisando que nem estimativa de custos existe para os projetos. As proposituras precisam ainda entrar na pauta do Executivo municipal ou ser contemplados por emendas parlamentares, uma das vias de acesso aos orçamentos financeiros de municípios, Estados e União. O projeto pode até ser impulsionado pela Copa 2014, caso Cuiabá seja escolhida como uma das subsedes. Mas, por enquanto, a aparente solução vai continuar no papel.