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CIDADES
Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010, 19h:41

JUDICIÁRIO

Servidores federais anunciam greve geral

Nem bem Justiça estadual volta à ativa, Federal decide paralisar

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Depois da paralisação de mais de 100 dias dos servidores do Poder Judiciário estadual, agora é a vez dos servidores federais pararem as atividades. A categoria decidiu ontem, em assembleia geral, que vai entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 15 de setembro. Os servidores do Judiciário federal reivindicam o arquivamento do Projeto de Lei nº549/2009, que limita as despesas com pessoal e encargos sociais federais, obras, instalações e projetos de construção de novas sedes, ampliações ou reformas da Administração Pública. O projeto já passou pelo Senado e atualmente tramita na Câmara. “Esse projeto limita o orçamento para o Judiciário, Legislativo e Executivo federal por 10 anos. Isso quer dizer, entre outras coisas, que nenhum funcionário poderá ser contratado por concurso e que nenhuma vara poderá ser construída”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal de Mato Grosso (Sindijufe), Pedro Aparecido. Os servidores federais reivindicam ainda aumento de 56% no salário. “Esse valor é para repor a inflação. Nosso último aumento aconteceu em 2006, para repor a inflação dos anos anteriores”, informou Pedro Aparecido. O presidente do Sindijufe disse acreditar que a greve terá adesão de 50% dos 1.105 servidores da Justiça Eleitoral, Federal e do Trabalho. FÓRUM - Serão necessários no mínimo dois meses para que o andamento dos processos no Fórum de Cuiabá volte à normalidade. Essa é a avaliação do diretor substituto do local, juiz Yale Sabo Mendes. Os servidores do Poder Judiciário estadual retomaram ontem as atividades, após quatro meses de greve. “A estimativa é que o andamento normal dos processos deve demorar de dois a três meses. Antes disso, é pouco provável”, disse o juiz. Ele explicou ainda que os prazos processuais estavam suspensos por causa da greve, sendo retomados ontem. Na 4ª Vara Bancária, onde duas servidoras aderiram à greve, a gestora Rosângela Scarselli tentou manter o funcionamento normal. “O trabalho teve que ser feito apenas por mim e pelas estagiárias. Se deixássemos tudo parado, teríamos acúmulo muito grande de petições para juntar”, disse. Para o advogado João Fernandes de Souza, que tem dezenas de clientes, a volta vai trazer mais agilidade aos processos. “Durante a greve, o juiz tomava decisões, mas os advogados não tinham acesso a elas. Com o fim as coisas vão, aos poucos, voltar ao normal”.

Edição EDIÇÃO 16965




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