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CIDADES
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007, 21h:10

OPERAÇÃO MAPINGUARI

Servidores da Sema protestam por colega detida pela PF

KEITY ROMA
Da Reportagem
Dezenas de servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) suspenderam parcialmente as atividades ontem à tarde para protestar contra a prisão de uma colega de trabalho durante a Operação Mapinguari, desencadeada pela Polícia Federal esta semana. Os trabalhadores afirmam que a detenção da técnica Célia Pereira Carvalho é arbitrária e deixa os servidores inseguros para exercer as funções. A servidora é acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de contribuir com a autorização ilícita de um plano de manejo na área do Xingu. Ela trabalha desde 2003 no órgão e é responsável pela análise de imagem de planos de manejos florestais. Ao receber os projetos dos engenheiros, ela deveria conferir por meio de imagens de satélite se a área é semelhante a do traçado apresentado. “Depois que ela analisa, outras pessoas ainda precisam ir até a propriedade para fazer a verificação in loco. Não é a Célia quem autoriza o plano de manejo. Além disso, nas imagens de satélite não dá para detectar se de fato há corte seletivo de árvores (retirada selecionada de algumas espécies), apenas o desmatamento de corte baixo (devastação total)”, defendeu a chefe da acusada, Vera Lúcia Monteiro. Além disso, Monteiro aponta que o relatório do MPF é de dezembro do ano passado, época em que o processo ainda não teria sido autorizado na Sema, o que só aconteceria em fevereiro. “O pior é que a área está a 13 quilômetros da área indígena, não tem porque ela estar presa”. O plano de manejo em questão pertence à fazenda Cristal. Consta na denúncia do MPF que a área apresenta um alto grau de desmatamento e a fraude estaria em contribuir com a liberação de novos créditos florestais para retirar madeira da área que, em tese, já não deveria mais ser explorada. O advogado da acusada, Válber Melo, protocolou um pedido de revogação da prisão temporária na Justiça Federal. Os servidores agendaram para a próxima semana uma reunião com o secretário de Meio Ambiente, Luis Henrique Daldegan, para estabelecer critérios para a atuação do MPF e da PF dentro do órgão. “A gente está com medo de assinar pareceres, eles simplesmente aparecem e falam que são falsos”, disse o presidente do sindicato da categoria, Osmar Prado. O MPF afirmou, através da assessoria de imprensa, que se Célia está presa é porque há indícios do envolvimento dela. A Operação Mapinguari prendeu 31 pessoas de quatro estados por exploração ilegal de madeira dentro do Parque do Xingu. Madeireiros, índios e servidores públicos conduziam o esquema.

Edição EDIÇÃO 16962




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