CIDADES
Segunda-feira, 11 de Abril de 2011, 21h:21
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JORNADA DE LUTAS
Sem-terra fecham o Trevo do Lagarto
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Cerca de 350 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) interditaram ontem o entroncamento do Trevo do Lagarto, em Várzea Grande. O trevo faz ligação das BRs 070 e 364/163 com a Rodovia dos Imigrantes, vias que possuem intenso movimento de caminhões e carretas. O bloqueio durou uma hora e faz parte do movimento anual do grupo, iniciado em todo mês de abril, integrando as Jornadas de Lutas do MST. Neste mês o MST realiza atos e protestos em todo país para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 sem-terra foram assassinados por pistoleiros. O crime aconteceu no Pará, há 15 anos e, conforme o MST, os autores dos assassinos continuam impunes. Segundo a coordenadora estadual do MST, Idalice Nunes, os integrantes do MST são das cinco regiões do Estado, chegaram e montaram acampamento ainda na tarde do último domingo. No trevo, os sem-terra devem permanecer até o dia o dia 17 deste mês. Neste período, várias manifestações, inclusive novas interdições, devem voltar a ocorrer. No dia 18 de abril vamos montar acampamento em frente ao Incra, no CPA. Também vão acontecer lutas em Cáceres, Mirassol DOeste, Campo Verde e Tangará da Serra, informou. Segundo os membros do movimento, já existe ameaças de expulsão do local. De acordo com Idalice Nunes, a principal reivindicação dos sem-terra é pela reforma agrária. O que queremos é terra. Mas, não adianta apenas assentar e abandonar as famílias. Também precisamos de infraestrutura, escola e condições para poder trabalhar na terra, disse. Atualmente, 1.200 famílias vivem em acampamentos no Estado. No país, segundo a coordenadora do MST, são aproximadamente 90 mil. Viver embaixo de lona, sem nenhuma infraestrutura, não é nada fácil. A única coisa que recebemos do governo é uma cesta básica, que está até atrasada. A última foi entregue em dezembro do ano passado, afirmou. Alguns desses acampamentos, conforme Idalice Nunes, têm mais de 10 anos. Um deles é o Silvio Rodrigues, que fica na Fazenda São Paulo, em Mirassol DOeste. Só falta o Incra liberar o pagamento da terra para o fazendeiro, comentou o sem-terra Arnaldo Marques, 55 anos, que vive na área. Lá, já plantamos arroz, feijão, milho e banana. Mas, não podemos investir e melhorar as condições de moradia por causa da burocracia do Incra, criticou. Na área, conforme ele, não há energia elétrica e água, só de poço. Os sem-terra também são de acampamentos como Che Guevara, em Tangará da Serra, Oziel Pereira, em Nova Olímpia, e Olga Benário, em União do Sul. Eles também cobram a reestruturação e fortalecimento do Incra, aumento de recursos do Pronera, incentivo à produção orgânica, construção de agroindústrias cooperativas nos assentamentos e universalização da assistência técnica para todas as famílias assentadas.