Sem acordo entre servidores e governo e greve é mantida
Servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso e o superintendente regional do órgão, Leonel Wohlfanhrt, se reuniram ontem de manhã para discutir possíveis propostas para o fim da greve e decidir se haveria a possibilidade de pelo menos os funcionários com cargos de confiança (DAS) pudessem retornar ao trabalho. Após quase uma hora de conversa, os grevistas optaram por aceitar que apenas os DAS voltassem a trabalhar. Os servidores do Incra estão em greve desde a última quinta-feira. Ontem de manhã os servidores ficaram reunidos em frente ao órgão para dar força ao movimento. Faixas indicando as reivindicações prioritárias da categoria foram afixadas nas portas do prédio para evitar o acesso dos funcionários terceirizados e da população. A greve dos servidores do Incra no Estado segue uma deliberação nacional. Em todo o Brasil, há 27 unidades paralisadas. A pauta de reivindicações também segue a deliberada nacionalmente, com a inclusão de tópicos para atender a unidade do Estado. Entre os pedidos, está a reestruturação das carreiras e correção das distorções, a reposição das perdas salariais, a retirada imediata da lei anti-greve prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma verdadeira reforma agrária e a reestruturação do Incra, com destaque para a unidade de Mato Grosso na questão de carros, força de trabalho, equipamentos e gestão. Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Incra em Mato Grosso, Conceição Itacaramby, a categoria resolveu se mobilizar para mostrar à população que está insatisfeita com a situação atual do órgão e com as remunerações injustas. Conceição ponderou que uma pessoa com nível médio pode concorrer a uma vaga no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com salário base inicial maior que R$ 3 mil. Hoje, um servidor com nível médio que trabalha há cerca de 25 anos no Incra tem o salário base de R$ 380. Isso é um absurdo. Na reunião, Wohlfanhrt disse que levará as reivindicações para uma reunião com a superintendência em Brasília no início da próxima semana. (AC)