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CIDADES
Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013, 20h:27

PEDÁGIO NA 163

Se for para melhorar...

Principais afetados pela concessão, caminhoneiros até aceitam pagar pedágio, desde que haja investimentos

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Com a privatização dos 850 quilômetros da BR-163, entre a região de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá) e a divisa com o Mato Grosso do Sul, a parte mais afetada – para o bem ou para o mal – são os caminhoneiros. Entre o gasto a mais com pedágio e a aventura pelas péssimas condições da rodovia, parte da categoria acredita que o melhor ainda é pagar por uma estrada de qualidade. “Quem mais se beneficia com uma privatização é a concessionária. O problema é que a BR-163 precisa de muitas melhorias. Se for para melhorar, é preferível pagar mais pedágio e torcer para gastar menos com a manutenção do caminhão”, pondera o caminhoneiro Marcos Rocha, 35 anos, que saiu de Sapezal com destino a São Paulo transportando pluma. “Têm determinados trechos da 163 em que se dois caminhões se cruzarem é só retrovisor que vai embora”. De opinião semelhante é do caminhoneiro Evandro Costa, 42 anos. “Muitos acidentes na BR-163 acontecem por problemas de infraestrutura e buracos. É uma pista estreita em muitos pontos e o que a gente espera é que a duplicação saia o quanto antes para maior segurança de todos”, opina o profissional de volante, que trabalha com o transporte de cargas há 9 anos. Já Getúlio de Siqueira estava revoltado. “Eu sou contra a privatização porque a gente já paga inúmeros impostos. É ICMS de transporte para conservação das rodovias, é imposto em cima do combustível para o mesmo fim, é taxa do pneu e até do pneu que não está rodando, é IPVA que deveria ser investido nas estradas e nada é feito. Só mais um exemplo de tantas taxas que a gente paga é a aferição do tacógrafo, em torno de R$ 200”, critica. “O caminhoneiro praticamente não tem lucro, se é que consegue cobrir as despesas”, completa. Siqueira também reconhece que a BR-163 encontra-se em má conservação. Porém, para ele, o caminhoneiro como a maioria dos brasileiros ganha mal e o governo, com a privatização das rodovias, deveria parar de cobrar tantos impostos. “Mas, isso as autoridades não se preocupam em fazer”, lamenta. Por rodovias de São Paulo, ele afirma que chega a gastar em torno de R$ 300 só com a tarifa do pedágio. Na BR-163, a tarifa oferecida pela empresa vencedora do leilão, a empreiteira Odebrecht, foi a foi de R$ 2,638 para cada 100 quilômetros rodados. Entretanto, o pedágio somente poderá ser cobrado após 10% dos investimentos em duplicação serem realizados, o que deverá ser feito num prazo de cinco anos. O investimento total é da ordem de R$ 3,6 bilhões. Para o chefe de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal (PRF), José Hélio Macedo, a duplicação da BR-163, por onde trafegam diariamente em média 20 mil veículos, é extramente necessária. Hoje, conforme ele, a estrada sofre com problemas como falta de acostamento, de sinalização adequada, de separador físico no meio e travessia de pedestres no perímetro urbano, onde ocorrem muitos atropelamentos - em muitos casos, com morte. Entre os piores trechos ele cita entre Jangada e Lucas do Rio Verde. “É estreita, não tem acostamento e com desnível absurdo”, exemplifica. “A rodovia 163 é um grande gargalo por conta da infraestrutura regular”, acrescenta. O trecho a ser privatizado é importante para o escoamento de grãos das regiões produtora do Centro-Oeste.

Edição EDIÇÃO 16965




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