CIDADES
Quarta-feira, 07 de Junho de 2006, 21h:06
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MADEIRA DO IBAMA
Saqueadores serão processados
Keity Roma
Especial para o Diário
Vinte e nove pessoas foram detidas desde o início dos saques ao depósito de madeiras apreendidas do Ibama, no Trevo do Lagarto, em Várzea Grande. Alguns saqueadores foram conduzidos para o presídio do Pascoal Ramos e outros, apenas indiciados em delegacias de Várzea Grande. Nos dois casos eles responderão a processo judicial por crime federal. As prisões foram realizadas pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Batalhão Militar Ambiental, 4° Batalhão da Polícia Militar e Rotam. A Polícia Federal está investigando a possível participação de empresas do ramo madeireiro nas ações de invasão. Há fortes indícios de que empresas estariam estimulando as pessoas a invadirem a área, e depois receptando o material, disse o superintendente do Ibama, Paulo Maier. Outro ponto da investigação da PF é a incitação aos ataques em massa, que teria sido feita por apresentadores de programas de televisão veiculados em Cuiabá e Várzea Grande. As pessoas alegam que viram na mídia que o órgão estava doando a madeira e era só ir pegar, disse Maier. Foi cogitada também a hipótese de que as madeiras nobres tenham sido retiradas antes do incêndio e vendidas por servidores do órgão, e então o fogo teria sido ateado no pátio para destruir provas do crime. A superintendência do Ibama disse que o órgão não tem competência para realizar investigações, mas que nenhuma possibilidade será descartada. Vamos esperar o resultado das investigações, mas todas as informações que surgem estão sendo registradas, disse Paulo Maier. Duas comissões do Ibama estão fazendo um levantamento da quantidade de madeira que restou depois dos saques desta semana e do incêndio no pátio do órgão, que teve início no dia 29 de maio e só foi contido no dia seguinte. Mas não será possível distinguir o material perdido no incêndio, do furtado. O órgão está aguardando o resultado da perícia da Polícia Federal, que não tinha sido realizada até terça-feira, para tomar providências. O instituto possui uma linha telefônica de denúncias e não é obrigatória a identificação. O número é 0800 618080. Cerca de 20 homens passaram o dia de ontem removendo a madeira do trevo do Lagarto para dois outros locais: um pátio disponibilizado pelo Dnit e uma área do Batalhão Militar Ambiental. Se houver necessidade, um espaço cedido pela Prefeitura de Várzea Grande poderá a ser utilizado. O Ibama trabalha agora para concluir os processos administrativos referentes ao material e então definir uma destinação, que provavelmente será a doação. Só pessoas jurídicas podem ser beneficiadas com as doações. Um ofício, contendo a quantidade e a finalidade da madeira solicitada, deve ser enviado ao Juizado Volante Ambiental (Juvam) pela entidade interessada. Têm prioridade projetos de construção de casas e de recuperação de pontes. Desde agosto do ano passado o Ibama não realiza doações. Grande parte da madeira que estava no pátio do trevo do Lagarto deverá ser fornecida para a Secretaria de Estado de Infra-Estrutura e prefeitura de Várzea Grande, segundo informações do Ibama.