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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2025, 10h:10

SEGURANÇA ENERGÉTICA

Relatório aponta risco de apagão de energia em Mato Grosso

A principal causa é a rápida expansão da geração de energia solar fotovoltaica, sem o devido acompanhamento

Do Eh Fonte
Divulgação
Sobrecarga no sistema pode resultar em desligamento do sistema de transmissão por excesso de carga elétrica

Um relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a segurança energética nos próximos cinco anos aponta risco efetivo de apagão em Mato Grosso.

A principal causa é a rápida expansão da geração de energia solar fotovoltaica, sem o devido acompanhamento da infraestrutura de transmissão e distribuição.

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Os dados estão no Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo do Sistema Interligado Nacional, que abrange o período de 2025 a 2029.

Um dos efeitos que preocupam é o chamado “fluxo reverso” de energia: em vez de a energia fluir da transmissora para a distribuidora, o excesso de energia gerada e não usada pelos consumidores residenciais e comerciais com painéis solares fazem o caminho inverso, passando da distribuidora para o sistema de transmissão.

Isso gera risco de sobrecarga no sistema, o que pode resultar em desligamento do sistema de transmissão por excesso de carga elétrica.

Mato Grosso tem 94% das subestações de fronteira com “fluxo reverso”, é o estado com a maior porcentagem. Em seguida estão o Piauí, com 73%, e Minas Gerais, com 43%. 

Atualmente, o Estado possui uma capacidade instalada de energia solar de aproximadamente 2 GW de energia na modalidade MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), composta majoritariamente por energia solar fotovoltaica.

As projeções indicam que, até 2029, essa capacidade deverá dobrar, ultrapassando 4 GW.

De acordo com o relatório, o estado terá 145% de energia gerada em relação à demanda máxima prevista, posicionando o estado com maior adoção de geração solar.

O documento aponta que o crescimento do agronegócio em regiões estratégicas como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis tem intensificado a demanda energética, principalmente à noite, devido ao uso da irrigação evidenciando a necessidade de reforços na rede de transmissão.

A subestação da Eletronorte em Sorriso, por exemplo, operou com medidas emergenciais para evitar colapso, enquanto a obra da nova Subestação Cuiabá Norte, essencial para aliviar a sobrecarga em Cuiabá e Coxipó, está atrasada e sem previsão de entrada em operação.

“A estrutura atual não está preparada para acompanhar essa transição energética tão rápida. Se não houver reforço na rede, o sistema pode entrar em colapso”, alerta o relatório do ONS.

Diante dos desafios, foram adotadas medidas emergenciais, como a flexibilização de sobrecarga em transformadores e a adoção de horários de pico diferenciados para irrigação, mas essas soluções não são suficientes a longo prazo.

Além de Mato Grosso, o ONS vê risco de sobrecarga “inadmissível” – superior à capacidade operacional de curta duração dos transformadores – em subestações do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí.

Em 2023, o país sofreu um apagão de seis horas em 25 estados, justamente em razão de problemas com a intermitência da energia solar e eólica.

OBRAS ATRASADAS - O ONS identificou atrasos em obras essenciais para o fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso e no Pará.

A Subestação Cuiabá Norte, planejada para aliviar a sobrecarga na rede de Cuiabá, deveria estar pronta em março de 2025, mas atualmente não há previsão para sua conclusão.

Para mitigar os problemas decorrentes desse atraso, está sendo considerada a instalação de um segundo transformador na Subestação Cuiabá.

Além disso, há projetos importantes para a região de Novo Progresso, no Pará, que também beneficiarão o norte do estado.

Esses projetos incluem a construção de novas subestações e linhas de transmissão para melhorar o atendimento elétrico nessas áreas.


Edição EDIÇÃO 16956




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