Reciclagem melhora qualidade do ar e diminui incêndios
Além da renda a mais para os empresários que resolveram investir no ramo, a reciclagem dos resíduos de madeira beneficia a população das cidades que têm nas madeireiras a principal fonte de renda. É o que afirma o Claudinei Melo, dono de madeireira e presidente do Sindnorte, sindicato que representa a categoria. Ele afirma que a matéria-prima (serragem e lenha) que hoje dá origem a produtos como o briquete e o cavaco de madeira, há cerca de oito anos se acumulavam no pátio das madeireiras a espera de serem incinerados. Prática que, normalmente ocorria a céu aberto. Há oito anos a qualidade do ar era péssima. Neste período de estiagem chovia cinzas nas cidades por causa da queima da serragem e das lenhas nas madeireiras, conta. Além da fumaça, os entulhos davam início a incêndios que, conforme o empresário, surgiram da combustão espontânea. O pior de tudo é que, muitas vezes, nem precisa colocar fogo. O material ficava estocado nos pátios e pegava fogo sozinho, relata. O acúmulo dos resíduos é apontado por Melo como o responsável pelo incêndio que atingiu Marcelândia (distante 720 quilômetros de Cuiabá) há dois anos. Cerca de 80% do setor industrial foi consumido pelas chamadas. O prejuízo foi de R$ 10 milhões. À época, cerca de 100 casas e 16 indústrias foram destruídas. Pelo menos 500 vagas de emprego foram reduzidas no município, que tem a atividade madeireira como principal vertente da economia. O resultado foi o êxodo para cidades do entorno e até outras regiões. A proibição, por meio de lei estadual, de queima destes resíduos a céu aberto foi o que inspirou empresários a investir no reaproveitamento. A serragem agora é usada para fabricação de briquetes e a lenha se transforma em cavaco de madeira. Ambos são usados para alimentar caldeiras que movem turbinas para a produção de energia elétrica. (LN) ARQUIVO / DC