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CIDADES
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009, 21h:00

JUARA

Proprietário de fazenda denuncia ocupação ilegal

Corre na Justiça processo de reintegração de posse de área onde madeira é explorada

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Sem-terras estão sendo acusados de promover a devastação da mata restante na fazenda Agrotep, em Juara (a 709 quilômetros de Cuiabá), para a exploração ilegal de madeira no bioma amazônico. Eles já foram obrigados a deixar a área pela Justiça, por meio de uma liminar que determinou a reintegração de posse aos donos da fazenda em 5 de junho, mas continuam com a exploração madeireira em parte da propriedade, mesmo durante o prazo de 60 dias estipulado para que abandonem a área. Dos 20 mil hectares de fazenda, cujas atividades se concentram na produção pecuária, os grileiros ainda ocupam cerca de 30%. Eles mantêm as atividades ilegais e ambientalmente nocivas sob os olhos das autoridades locais, omissas sobre o caso notório devido à influência e retaguarda de um grupo político da região igualmente explorador de madeira, conforme aponta Silvia Giraldelli, esposa do proprietário da fazenda, Juvenal Arroyo Lopes. Os ocupantes têm histórico de invasão a outras propriedades, crimes ambientais e pistolagem, conforme os proprietários da área. Dois dias após a decisão liminar que determinou a expulsou do grupo, um carro de Giraldelli foi baleado em Juara, a cerca de 55 quilômetros da fazenda. Suspeita-se de que o ato tenha sido cometido como retaliação. Há aproximadamente um ano e meio, grileiros invadiram a fazenda e exploraram a madeira do local. O material foi apreendido e a acusação de crime ambiental por exploração ilegal de madeira caiu sobre as costas dos administradores da Agrotep – cuja defesa alega que nunca se envolveram com produção madeireira. O caseiro da fazenda ficou como fiel depositário das toras apreendidas. Contudo, ele foi assassinado – ainda não se sabe por quem – e os sem-terras voltaram ao local, há mais ou menos 10 meses, continuando a devastação em parte da área. Os grileiros trouxeram outros prejuízos à fazenda, abatendo algumas cabeças de gado, que agora se encontram dispersos no local, e alguns cavalos, conforme conta a defesa da Agrotep. O advogado da fazenda, Valdriângelo Fonseca, busca na Justiça uma outra decisão que, desta vez, determine a reintegração de posse total da propriedade. GRILAGEM – Embora seja um caso isolado, a fazenda Agrotep convive com o problema da ocupação ilegal da área, prática amplamente difundida em Mato Grosso e escorada pela atuação de autoridades. A Operação Pluma, desencadeada pela Polícia Federal no início do mês, chegou a prender oficiais da Polícia Militar a fim de desmantelar esquemas similares na região nordeste do Estado.

Edição EDIÇÃO 16968




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