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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 01 de Setembro de 2012, 13h:55

CORRUPÇÃO

Projeto inclui crime na lista de hediondos

Proposta penaliza condutas política e também a atos como subornar um policial ou usar atestado médico falso para faltar ao serviço

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Um projeto de lei federal, de autoria do senador Pedro Taques (PDT), inclui a corrupção na lista dos crimes hediondos. Caso seja aprovado, crimes de concussão e corrupções passiva e ativa terão pena de até 4 anos de prisão. A proposta aguarda inclusão na pauta de votação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mas já recebeu parecer favorável do relator, senador Alvaro Dias (PSDB-PR). A decisão da CCJ terá caráter terminativo (sem necessidade de ir para o Plenário). Em Mato Grosso, um dos casos que ganharam repercussão nacional ficou conhecido como “Sanguessugas”. O escândalo estourou em 2006, após investigações da Polícia Federal (PF) que levaram a uma quadrilha que desviava dinheiro destinado pelo Ministério da Saúde (MS). Porém, a corrupção não se resume a improbidade política, mas também por atos como não devolver o troco recebido a mais, subornar o policial ou agente para livrar-se de uma punição, utilizar-se de atestado médico falso para faltar ao serviço, se apropriar de pequenos objetos da empresa ou órgão público onde trabalha, entre tantos outros exemplos. Estas são prática que se tornaram tão comuns que para muitos se tornaram normais e a ideia de impunidade é uma das principais causas. Caminhoneiro há 20 anos, Luiz Fabiano da Silva (nome fictício) já perdeu a conta de quantas vezes desembolsou quantias em torno de R$ 10,00 a R$ 50,00 para passar ou escapar de barreiras policiais existentes pelos mais diversos cantos do país sem problemas. “Já paguei e muitas vezes”, reconhece Luiz Fabiano, de 39 anos. “Na Serra dos 90, que fica na rodovia Régis Bittencourt (SP), das 18h às 6 horas, os caminhoneiros não podem descer a serra. Mas, lá é muito comum o pessoal pagar R$ 50,00 para passar nesse horário”, afirmou. O caminhoneiro diz que sabe que a prática é errada, imoral e condenável. “Já se tornou um vício. Os próprios policiais têm uma linguagem e mesmo a gente trabalhando dentro da lei acaba pagando para evitar transtornos. Eles (responsáveis pela fiscalização) têm fé pública e se a gente fala qualquer coisa te metem um desacato. Não são todos. Têm muitos bons profissionais, mas também têm muito joio”, disse. E bons exemplos não faltam. No fim do ano passado, uma fiscalização do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) levou a prisão de dois homens com mais de US$ 100 mil. Eles estavam a cerca de 20 metros da divisa do Estado com a Bolívia e chegaram a oferecer tudo o que tinham aos policiais para que não fossem presos. “No primeiro momento, eles ofereceram US$ 10 mil para que os deixássemos ir embora. Depois, meio a meio e até todo valor dizendo que tinham muito mais de onde vieram”, contou o soldado Cleidson Mendes de Oliveira, que atua no Gefron há 10 anos. Porém, Cleidson Oliveira afirma, que apesar da quantia, ele e os colegas jamais pensaram em aceitar a propina. “Situações como estas ocorrem frequentemente. Mas, a índole e a formação de uma pessoa vêm de berço. Não vale a pena”, comentou lembrando casos de policiais que foram expulsos da corporação por terem caído na tentação. Resultado: Os dois detidos foram encaminhados para Delegacia da Polícia Federal (PF), em Cáceres.

Edição EDIÇÃO 16959




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