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CIDADES
Terça-feira, 24 de Maio de 2011, 21h:31

CASA DOMINGOS

Professores de VG protestam na empresa

Em greve há cerca de 10 dias, trabalhadores da Educação fizeram ato público na FEB para relembrar denúncia de esquema de favorecimento à família

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Numa referência às denúncias de desvio de merenda escolar contra o prefeito Murilo Domingos, cerca de 150 trabalhadores da rede municipal de Várzea Grande realizaram um ato público ontem pela manhã em frente à Casa Domingos, empresa da família do prefeito localizada na avenida da FEB. Eles interditaram a pista por vários momentos provocando congestionamento no trânsito. Os professores estão em greve desde o último dia 16. Um inquérito aberto pela Delegacia Fazendária apura a denúncia de um esquema de favorecimento envolvendo o prefeito e a empresa familiar “Casa Domingos”. Em documento entregue à Procuradoria Geral em setembro de 2005 é relatado que Murilo e o irmão Antônio Domingos, ex-secretário de Fazenda de Várzea Grande, registravam os produtos comercializados com a prefeitura por meio de empresas “fantasmas”. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público da cidade, Maria Aparecida Cortez, as atividades estão paradas em 95% das 72 escolas municipais, que atendem aproximadamente 19 mil estudantes. “Lamentavelmente pior do que ter alunos parados em função da greve são os que estão fora da escola por falta de vagas”, disse. Segundo ela, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para um déficit de 30 mil vagas nos ensinos infantil e fundamental. “Há mais de 10 anos que não se amplia o atendimento do ensino infantil”, afirmou. As principais reivindicações são recomposição salarial e revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Sem reajuste do piso desde 2008, a categoria cobra a implantação imediata do piso R$ 1.312, conforme estabelecido pela Lei Federal 11.738/2008. Atualmente, o inicial é de R$ 550, segundo Cortez. “Não há negociação. A proposta (da prefeitura) foi para que a gente suspendesse a greve para que, só então, avaliasse as nossas reivindicações. Porém, a pauta está protocolada desde o ano passado e infelizmente não é possível atender”, comentou. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Educação e Cultura (Smec) informou que para pôr fim a greve estuda as reivindicações. “Estamos estudando a pauta apresentada pelos profissionais e, dentro do possível vamos atendê-las. Esta paralisação afeta em especial as crianças e adolescentes que são assistidos pela rede municipal e certamente não é isso que queremos”, disse o secretário da Smec, Isac Nassarden. Nassarden destacou que a exigência do PCCS também está sendo solucionada. “Vamos concluir ainda hoje (ontem) o enquadramento de todos os profissionais da Pasta. Na última quinta-feira realizamos o enquadramento de 186 profissionais, chegando ao número de 1.300 servidores beneficiados, correspondendo a 92% do quadro”. O secretário lembrou ainda que, por duas vezes, em datas distintas, esteve reunido com membros do sindicato para discutir a pauta. “Nosso próximo encontro será na próxima segunda”, conclui.

Edição EDIÇÃO 16969




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