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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 18 de Julho de 2015, 13h:10

Professor estudou vida de sacoleiros

O comércio de produtos piratas foi o tema do mestrado do publicitário e professor universitário Rodolfo Polzin Rondon. As experiências de atravessar a fronteira de outro país para fazer compras e a convivência no Shopping dos Camelôs de Cuiabá fizeram parte do trabalho de campo e mudaram o conceito dele sobre a atividade. Rodolfo conta que se interessou pela temática ainda na graduação, ao fazer parte do Núcleo de Estudos de Culturas Contemporâneas (Eco), da UFMT. Durante quase dois anos, conviveu com os comerciantes desse shopping. Fez várias viagens para o Paraguai, país vizinho por onde entra grande parte dos produtos piratas vendidos aqui. Atravessou dois pontos de fronteira com mercadorias. Na com Mato Grosso do Sul (cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Cabelero), e no Paraná (Foz do Iguaçu e Ciudad Del Este). Na fronteira paranaense, contou, atravessou a Ponte da Amizade, sobre o rio Paraná, a pé, de táxi, ônibus, van e moto. Só não se arriscou em barcos, por puro medo, diz. Uma única vez, recorda, quando atravessava a pé, a fiscalização o parou, sendo liberado em seguida. Ele quis descrever a jornada para abastecimento das bancas no camelódromo a partir da própria experiência. Além de cansativas, essas viagens são tensas e desgastantes, diz. Essas vivências e as informações e dados levantados mudaram a visão dele sobre os comerciantes do maior shopping de “importados” de Cuiabá. “Entrei no shopping enxergando todos como criminosos e saí com outra visão, os vendo como integrantes de uma prática social não oficial”, revela. Para ele, a repressão no local não é maior porque existe um movimento do poder público no sentido de conviver com essa modalidade de negócios como inerente à cidade, aos hábitos da população. No caso do camelódromo cuiabano, lembra, os comerciantes dispõem de licença da prefeitura para se instalar. Cada um tem seu próprio alvará, renovável anualmente mediante pagamento de taxas. Além disso, Polzin acredita que ao criar a categoria “revenda de produtos industrializados”, a lei legislação brasileira que deu origem ao empreendedor individual abriu brechas à oficialização dos camelôs. (AA)

Edição EDIÇÃO 16964




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