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CIDADES
Sexta-feira, 03 de Junho de 2011, 21h:28

ATROPELAMENTO

Prisão preventiva e homicídio doloso

Condutora que passou por cima de menino na porta da casa dele, em Cáceres, é presa logo após prestar depoimento. Criança morreu ontem

O juiz da 3ª Vara Criminal de Cáceres, Carlos Roberto de Campos, decretou ontem a prisão preventiva de Sandra Giselli Tomaz, 34 anos, também conhecida como Camila. Ela é a condutora do veículo que atropelou, na tarde do último sábado, o garoto Marcelo de Arruda Silva, que será sepultado hoje, dia em que completaria 11 anos de idade. Sandra se apresentou para depor no Centro Integrado de Segurança e Cidadania às 14 horas de ontem, acompanhada do marido, o cabo da Polícia Militar Abel Cebalho de Souza, e pela advogada Maria Alice Mensch. Abraçada e escondendo o rosto no peito do marido, ela entrou chorando. Depois de mais de três horas de depoimento, o delegado responsável pelo inquérito, Rogers Elizandro Jarbes, anunciou à imprensa que havia pedido a prisão preventiva dela por crime de homicídio doloso. Segundo ele, inicialmente nervosa, Sandra se acalmou no decorrer do depoimento e negou que estava dirigindo bêbada, admitindo, porém que não tem carteira de habilitação. "Ela praticamente repetiu o que disse no primeiro depoimento, tomado quando se apresentou no domingo. Foram poucos pontos divergentes. Hoje ela declarou que não ingere bebidas alcoólicas há alguns meses, desde que iniciou um tratamento para engravidar". No entanto, ainda segundo o delegado, a versão das nove testemunhas já ouvidas durante a semana diverge totalmente da prestada por Sandra. "Todas elas, sem exceção, afirmam que no momento do acidente ela estava visivelmente embriagada. E mais: uma das testemunhas afirma que ela estava, por volta das 13 horas, bebendo com o marido, na casa de terceiros". Segundo testemunhas, Sandra passou dirigindo em alta velocidade, pulando um quebra molas e virando à esquerda na rua das Begônias, no bairro Cohab Nova. Ao fazer a convergência, ela perdeu a direção e, ao invés de frear, acelerou, derrubando o padrão de energia da casa da vítima e atropelando Marcelo, que estava sentado no degrau da porta da sala. Com ele, estavam dois amiguinhos em pé, que conseguiram correr e escapar do carro. Eles estavam confeccionando pipas. Marcelo teve as pernas esmagadas. As pessoas que se aglomeraram no local afirmam que a condutora tentou sair de ré. O carro foi parar na sala da casa. Impedida, ela desceu do carro e se afastou, dizendo várias vezes que era esposa de policial e que ele resolveria tudo. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, Marcelo foi encaminhado ao Pronto-Atendimento de Cáceres e, de imediato, ao Pronto-Socorro de Cuiabá. Depois, foi para a Clínica Femina. Teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho e, no decorrer da semana, várias complicações o levaram à morte cerebral às 22 horas de quinta-feira. Ontem, por volta das dez horas, depois de muita resistência, sua mãe permitiu que os aparelhos que mantinham seu coração batendo fossem desligados. O corpo chegou a Cáceres por volta das 21 horas e estava sendo velado na casa da família. O pai, Dimas Matos da Silva, é vaqueiro, e a mãe, Lúcia Elina de Arruda, é dona-de-casa. Além de Marcelo, o casal tem uma filha adolescente. Sandra, por sua vez, permaneceu ontem numa cela na própria delegacia. Por ser esposa de policial, ela não será encaminhada a uma cadeia, mas a uma unidade militar. "Do contrário”, afirma o delegado, “correria riscos".

Edição EDIÇÃO 16964




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