CIDADES
Sábado, 16 de Outubro de 2010, 12h:04
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TRÂNSITO
Prainha sem fluidez
Estacionamento em trechos cruciais de artéria do Centro da Capital emperra pelo menos uma pista em cada lado da via
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Numa rua ou avenida, estacionamento significa imobilização de veículos por tempo superior ao necessário para embarque ou desembarque de passageiros. Este é um conceito técnico de circulação que deve ser levado em conta ao se definir a função de uma via para se evitar interferências ou amenizar os congestionamentos como os que ocorrem na avenida Tenente Coronel Duarte, popularmente conhecida como Prainha, em Cuiabá. Via estrutural e detentora de um comércio pujante, a Prainha apresenta, entre os cruzamentos com a Generoso Ponce e com a Getúlio Vargas, um dos seus trechos mais críticos. Neste espaço, carros e ônibus trafegam lentamente e as filas são inevitáveis. Enquanto isso, na mesma área, os estacionamentos, que não oferecidos pela maioria dos estabelecimentos comerciais, são permitidos em uma das faixas de rolamento (lateral) nos dois sentidos da pista. Controladas por meio do projeto Faixa Verde, as vagas ficam ocupadas desde as primeiras horas até o fim do dia. Enfim, o resultado: carros imobilizados, trânsito lento, congestionamento e motoristas ou passageiros estressados e irritados. A Tenente Coronel Duarte recebe o grande fluxo de carros e ônibus advindos de outras importantes pistas como a avenida Historiador Rubens de Mendonça, que liga o Centro ao Grande CPA, e a Fernando Corrêa, que leva à região do Coxipó. Ela segue ainda até a região do Porto, onde se conecta ao sistema viário de Várzea Grande. Em sentido contrário, o trânsito de veículos também é intenso. De quebra, o trânsito parado na Prainha se alastra por pistas secundárias e estreitas da cidade, como 13 Junho, Barão de Melgaço e a Pedro Celestino. Ouvidos pela reportagem do Diário, motoristas e demais pessoas que circulam pela pista se mostram divididos sobre o assunto. A unanimidade é que se trata de uma avenida importante para a cidade e que merece mais atenção ou investimento por parte do poder público. O fluxo de carros é muito grande. O trânsito deveria ser livre. Mas, aqui no Centro (de Cuiabá), é muito difícil encontrar vagas para estacionar, não acha nem nos estacionamentos particulares, opinou o técnico em informática, Júlio César Ribeiro, 48 anos. "É complicado. Se o estacionamento não fosse permitido haveria maior fluidez. A verdade é que a cidade não tem infra-estrutura pra tanto carro, avaliou a professora Leila Arruda e Silva, 36 anos. O investimento na malha viária não acompanha o crescimento da frota. Construir novas vias e viadutos é importante, quem sabe isso não ocorra com a realização da Copa, acrescentou. Mas quem enfrenta o congestionamento praticamente todos os horários do dia tem outra percepção. Tem que acabar (com o estacionamento). A Prainha é via arterial, não permite estacionamentos. Têm que ser eliminados, disse acreditar Claudemir Alves Ramos, taxistas há 21 anos na Capital. Outro problema são os pontos de ônibus, que não têm baias e os ônibus param no meio da rua, completou. O profissional do trânsito reclamou ainda do problema nas ruas 13 de Junho e Pedro Celestino, onde, em determinados trechos, a parada também é permitida. São ruas estreitas, os carros estacionam dos dois lados e o trânsito não flui. Aí, tem gente que para em fila dupla e não há nenhuma fiscalização, frisou. O auxiliar de enfermagem Luciano Soares, 32 anos, vai mais além. Não só deveriam acabar com os estacionamentos como deveriam fechar a Coronel Peixoto, o que já diminuiria o fluxo de carros na Prainha. A 13 de Junho, onde os carros se arrastam, já deveriam ter transformado em calçadão.