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CIDADES
Segunda-feira, 11 de Julho de 2016, 19h:56

JUSTIÇA

População fica à mercê de condenados

Em Mato Grosso, o regime semiaberto descrito no Código Penal está longe de ser realidade e muitos condenados são soltos e não podem ser controlados

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Por lei, as penitenciárias deveriam ser unidades destinadas ao cumprimento de condenação em regime fechado, assim como as colônias penais deveriam ser estabelecimentos voltados para o semiaberto e as casas do albergado para o cumprimento da pena em regime aberto e o uso das tornozeleiras. Em Mato Grosso, o regime semiaberto descrito no Código Penal (CP) está longe de ser realidade. Há um mês, 30 presos que receberam progressão para o regime semiaberto foram soltos, sem a utilização dos equipamentos eletrônicos que, apesar de não impedir que os condenados voltem a cometer novos crimes, permite que o Estado tenha controle sobre a localização dos reeducandos. Porém, conforme o juiz Geraldo Fidélis, da Segunda Vara Criminal de Cuiabá, trata-se de uma medida atenuante, devido à inexistência de colônias penais destinadas aos apenados que vão para o regime semiaberto, em Mato Grosso. “A adoção (dos equipamentos) é paliativa e para suprir uma ausência do Estado”, afirmou. Fidelis lembra que a única unidade do tipo no Estado, a Agrícola das Palmeiras, em Santo Antônio de Leverger (35 quilômetros de Cuiabá) está interditada. A medida foi tomada devido a várias irregularidades no estabelecimento, como a carência de condições mínimas de salubridade aos presos, concernente à lotação, circulação, alimentação, moradia, inadequação sanitária. “O ideal seria que municípios polo, como Cuiabá, Rondonópolis, Sinop, Barra do Garças e Tangará da Serra tivessem colônias penais para que o preso possa trabalhar e continuar cumprindo a pena de acordo com o que determina a lei. Na ausência, ainda que provisoriamente, que se coloque as tornozeleiras”, disse. O entendimento é o equipamento se usa em casos de regime aberto. Segundo Fidelis, os 30 presos já se apresentaram e colocaram os equipamentos fornecidos pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). Ele informou ainda que desconhece possíveis casos de reincidências no período em que estiveram sem o monitoramento eletrônico. O uso dos equipamentos está em funcionamento em Mato Grosso desde 2014. Atualmente, 2,4 mil presos fazem uso dos aparelhos, em Mato Grosso. O número é menor apenas do que o do estado de São Paulo (SP), que monitora 4,2 mil pessoas. Em matéria recente, “Mato Grosso é o 2º estado com mais beneficiados pela tornozeleira eletrônica”, a assessoria da Sejudh informou que uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) determina que, se não houver vaga suficiente em determinada unidade penitenciária, o presidiário poderá cumprir a pena em casa, desde que use o equipamento. Conforme a Sejudh, um presidiário dentro da cadeia custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por mês ao Estado, enquanto o custo médio mensal do monitoramento por tornozeleira é de R$ 300. “Em Mato Grosso, foram economizados R$ 5,8 milhões com a utilização do aparelho em 15 meses”, informou, sem mencionar o custo para o contribuinte de um ex-presidiário que reincide no crime. Segundo o órgão estadual, de 7% a 10% dos que usam o aparelho reincidem na prática de crimes, no Estado. Este número salta para 80% entre os detentos que não passam pelo processo de ressocialização.

Edição EDIÇÃO 16968




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