CIDADES
Quinta-feira, 06 de Março de 2008, 22h:17
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EXPLORAÇÃO SEXUAL
Polícia tenta identificar clientes que usavam meninas
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
A Polícia Civil de Cáceres está trabalhando para identificar empresários locais e de outras cidades da região que utilizavam a rede de prostituição desmantelada esta semana, na Operação Rufião, que resultou na prisão de cinco homens e três mulheres, todos agenciadores, e no encaminhamento de quatro meninas menores ao Conselho Tutelar. Foram dez meses de investigações, com levantamento de escutas telefônicas e fotos via satélite, que monitoravam a ação do grupo. Através das escutas e dos depoimentos dos envolvidos, a polícia pretende chegar aos "clientes" que, devidamente identificados, serão também indiciados pelo crime de prostituição. A rede tinha base em Cáceres e ramificações em Mirassol D´Oeste e Cuiabá. Por telefone, os clientes contratavam o serviço. Os agenciadores arrumavam mulheres maiores e menores. Em uma das escutas telefônicas, uma das agenciadoras, que já está presa, oferece uma menina de 12 anos a um cliente. Em Mirassol D´Oeste, o juiz Emerson Luís Pereira Cajango, da Vara da Infância e Adolescência, determinou o fechamento de um prostíbulo, que na fachada funcionava como "Bar Sedução", mas que tinha nos fundos vários quartos usados para os "programas", além de um álbum de fotos com garotas semi-nuas, no qual os clientes escolhiam a companhia. O local foi lacrado e teve ainda o fornecimento de energia elétrica interrompido. A delegada Elizabete Garcia dos Reis, da Delegacia Especializada na Defesa da Mulher, é a responsável pelos três inquéritos gerados a partir da operação. Com prazo de dez dias para a conclusão, ela começa hoje a ouvir as menores e as oito pessoas presas, além de várias outras testemunhas. As quatro meninas encontradas em bordéis foram encaminhadas ao Conselho Tutelar de Cáceres. Duas delas estavam em um prostíbulo em Mirassol D´Oeste e outras duas em Cáceres. O esquema da rede era atender o cliente em qualquer situação solicitada: em quartos localizados nos fundos de bares da periferia da cidade, em motéis, hotéis, chácaras e até em embarcações, as chamadas chalanas, geralmente alugadas por grupos de turistas que visitam o Pantanal. Durante a operação, foram presos em Mirassol DOeste Lucivaldo de Moraes, 22, e sua irmã Lucimar de Moares, 29, proprietária do bar "Sedução", onde existem quartinhos de fundos usados para a prostituição. Num dos quartos foram encontradas duas menores agenciadas em Cáceres. Em Cuiabá, a polícia prendeu o agenciador Rutemberg de Carvalho. E em Cáceres foram presos Kleber Ramos da Silva, 31, o "Klebinho", Sonia Maria Carneiro, 35 anos, proprietária do Bar da Sônia, Laurência Prudêncio de Almeida, a "Cida", 53 anos, proprietária do Bar da Cida, e ainda Patrício Martins de Queiróz e Luiz Carlos Novaes.