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CIDADES
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006, 22h:04

TANGARÁ DA SERRA

Polícia confirma ato criminoso contra mendigo

Alessandro da Silva foi Incendiado por 2 rapazes

KEKA WERNECK
Da Reportagem
A polícia confirmou o que ontem era apenas uma hipótese. O andarilho Alessandro da Silva, 30 anos, de Tangará da Serra (242 quilômetros de Cuiabá), foi realmente incendiado por dois rapazes, um de 25 anos e outro de apenas 17. Os dois estavam em uma festa de inauguração de um supermercado e, embriagados, teriam encontrado na vítima, que dormia nos fundos do imóvel, um motivo cruel de diversão. Vagner Martins da Silva, 25 anos, desempregado, confessou o crime e vai responder por tentativa de homicídio qualificado. Em depoimento ao delegado Luís Fernando Arantes, contou que havia uma lata de tiner ao lado do andarilho. O tiner havia sido usado na obra da loja. “Ele disse que jogou o produto no corpo de Alessandro”, contou o delegado. Perguntado sobre quem o ajudou a cometer o crime, Vagner acabou entregando o colega, que, segundo ele, riscou o fósforo e jogou no homem, que acordou em chamas. O adolescente foi apreendido em casa. Duas testemunhas oculares já confirmaram a história em depoimento. A “brincadeira” deixou queimaduras de segundo grau em 60% do corpo de Alessandro, que continua internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas, unidade particular em Tangará, mas que tem leitos de UTI conveniados com a saúde pública. O paciente não corre risco de vida. Está em observação. Mas, sedado, ainda não conseguiu prestar depoimento, disse apenas o nome. As informações sobre o estado de saúde dele é da Polícia. O hospital não quis se pronunciar. No albergue municipal, onde ele dorme e come, a informação é a de que Alessandro não é alcoólatra, nem usuários de drogas. Mas que eventualmente sofre de amnésias e isso faz com que saia pela cidade sem rumo e sem hora para voltar. Mas que não é uma pessoa agressiva, embora seja conhecido pela polícia, que eventualmente o recolhe. Vagner será transferido para Cuiabá e a polícia ainda está definindo para onde o adolescente irá. A pena para homicídio qualificado, conforme o delegado, pelo Código Penal, é de 12 a 30 anos de detenção. Mas como foi tentativa, a redução deve ser de um terço a dois terços. Este tipo de ato ocorre eventualmente no país e ganhou projeção no episódio do índio pataxó, que faleceu assim, em Brasília, depois de ser incendiado por jovens da cidade. O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito do caso que corre na Delegacia Municipal de Tangará.

Edição EDIÇÃO 16959




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