CIDADES
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010, 20h:18
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IMPUNIDADE
PM que matou cunhado segue livre, 2 meses após o crime
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Uma família triste e inconformada com a forma com que foi executado o corretor Valdevino Antônio da Silva, 34 anos, pede justiça. O crime, que nesta véspera de Natal, completa dois meses, foi cometido pelo cabo da PM, Waliton Francisco de Souza, 32, no bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Ele destruiu uma família e continua trabalhando e levando uma vida como se nada tivesse acontecido, lamentou a secretária Patrícia Pinto da Silva, que namorava a vítima há quatro anos. O sentimento de impunidade é compartilhado pela irmã de Valdevino, Catarina Domingas da Silva Mello. Ele não foi e não está sendo punido. Ele mora no Jardim Vitória e as pessoas o vêem direto jogando sinuca, tomando cervejinha e curtindo pagode, disse. A gente quer justiça, uma posição da Corregedoria da Polícia Militar, acrescentou. O assassinato ocorreu na casa família, que fica nos fundos do Bar do Ciro, que era cuidado por uma irmã da vítima e esposa do acusado. Após uma discussão, Waliton pegou uma arma e disparou cinco tiros contra o cunhado, que morreu na hora. No dia do crime, o cabo estava de folga. A ex-namorada conta que a dor da perda é muito grande e que o Natal não será mais o mesmo para a família. Valdevino era muito querido, uma pessoa carismática, alegre e de bem com a vida, disse. A gente se reunia sempre no Natal e o Valdevino era quem animava. Sua morte vai ser um trauma para toda a vida, completou. O corretor deixou quatro filhos menores de idade. Waliton se apresentou dois dias depois à polícia e, em depoimento ao delegado Márcio Pieroni, afirmou que atirou impensadamente. O militar foi liberado, uma vez que não estava com a prisão decretada e em função da Justiça Eleitoral proibir a prisão de pessoas cinco dias antes e até 48 horas depois do encerramento de uma eleição, como ocorreu em 31 de outubro passado, a menos que seja em flagrante. O Comando Geral da PM informou que como o cabo não estava em serviço no dia do assassinato, o crime é investigado pela Polícia Civil, mas que, na esfera administrativa, a PM abriu processo demissionário contra o militar. Já o delegado André Gonçalves informou que o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça. A assessoria da PM afirmou que o policial está cumprindo escala administrativa da base comunitária do Ribeirão do Lipa e não tem atuado nas ruas.