A descoberta de uma nova falha cometida pelos pilotos norte-americanos que conduziam o jato Legacy durante o maior acidente registrado no espaço aéreo brasileiro pode dar novos rumos ao processo judicial que apura os responsáveis pela tragédia. A colisão entre o Boeing da Gol e o jato ocasionou a morte de 154 pessoas em junho de 2007. O perito Roberto Peterka comprovou que Jan Paul Paladino e Joseph Lepore não ligaram o Traffic Collision Avoidance System (TCAS), principal equipamento de segurança de vôo para evitar colisões no ar. O advogado da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do vôo 1907, Dante D´Aquino, apresentou o novo relatório ao Ministério Público Federal (MPF). Os laudos foram entregues e serão juntados ao processo já em andamento. São novos elementos probatórios que podem mudar o rumo da ação judicial. Confirma uma negligência por parte dos pilotos norte-americanos e que eles teriam praticado o crime de atentado contra a segurança do tráfego aéreo, falou o defensor. O trabalho do perito foi embasado na análise dos dados da caixa-preta da aeronave. O TCAS deveria ser ligado no início do vôo. O aparelho serve para avisar que há outra aeronave em sentido de colisão, o que poderia ter evitado o acidente. No relatório há também indícios de que a equipe de torre pode ter cometido enganos também, apontou Peterka. A procuradora federal Analícia Ortega Hartz Trindade informou por meio de nota que o relatório recebido ontem pelo MPF será enviado à Justiça Federal em Sinop, onde o processo está tramitando contra quatro controladores de vôo e os dois pilotos. Esperamos que isso mude algo. Além de mostrar que o TCAS nunca foi ligado, o estudo revela outras imprudências. Uma série de pontos muito importantes foi esclarecida. Os pilotos americanos foram os principais causadores do acidente e vêm sendo muito poupados, desde o início do processo. Isso é um absurdo, disse presidente da Associação e viúva de uma das vítimas, Angelita de Marchi.