CIDADES
Sábado, 07 de Fevereiro de 2009, 14h:52
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PERIGO
Pedestre se esquiva de passarela
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Um atropelamento ocorrido esta semana na Avenida Fernando Correa, em Cuiabá, chama a atenção para ocorrências constantes no local e para o perigo enfrentado por pedestres. Mesmo havendo uma passarela, o local é marcado por inúmeros atropelamentos. Os riscos no tráfego no local são ainda maiores devido à grande movimentação e à alta velocidade dos veículos. O pescador Afonso Barbosa dos Santos, de 69 anos, seguia até uma concessionária, quando foi atingido por um carro, na sexta-feira (6). Ele foi submetido a uma cirurgia no abdome. De acordo com informações divulgadas pelo Hospital e Pronto-socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) ontem, o quadro de saúde era estável. A vendedora Lindineiva Tocantins Serqueira, de 23 anos, é moradora do bairro Pico do Amor, que fica nos arredores da Fernando Correa. Ela confirma que muitos pedestres preferem encarar o fluxo constante e perigoso de veículos, ao invés de utilizar a passarela. Durante o dia, o risco de atravessar fora da passarela é muito grande. Já ouvi muita gente falando sobre atropelamentos por aqui. Ela mesma admite que, ao menos durante a noite, quando o movimento de veículos é menos intenso, ela costuma atravessar pela avenida. À noite não passa tantos carros e acho que é perda de tempo subir até lá para atravessar. A doméstica Ileuza Vieira Fernandez, de 40 anos, mora do bairro Novo Horizonte, e durante três dias da semana tem que se deslocar até o Jardim Tropical, que fica nas proximidades da avenida, para trabalhar. Ao contrário de muitos pedestres, ela destaca que sempre utiliza a passarela. É mais seguro. Por aqui os carros correm demais. Mas tem gente que insiste no erro e atravessa pela avenida. Além de reclamar do tempo maior despendido para subir e descer as escadas da passarela, muitos pedestres apontam temer assaltos durante a travessia. Um dos acessos da passarela que corta o espaço aéreo da Fernando Correa está ligado a um beco que liga a avenida ao bairro Jardim Tropical, onde bandidos teriam campo fértil para atuar e fugir rapidamente. Para José Aparecido Jesus dos Santos, filho do pescador internado no pronto-socorro, apesar do acidente a passarela não resolve o problema dos atropelamentos. Aquilo lá é muito fora de mão, reclama o pedestre. Conforme Santos, o pai estava indo em direção à concessionária para receber um dinheiro, quando foi atropelado. Eu ainda perguntei se ele queria que o deixasse lá, mas ele preferiu ir de ônibus. Ele disse: eu não pago passagem mesmo, meu filho, lembra. Afonso Barbosa dos Santos foi submetido a uma cirurgia de reconstituição de abdome. Socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ele deu entrada no pronto-socorro com lesões no baço e no intestino. A cirurgia durou pouco mais de quatro horas, na sexta-feira. Segundo familiares, o motorista, identificado apenas como Marcelo, prestou toda a assistência necessária.