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CIDADES
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008, 20h:42

PREVIDÊNCIA

Paralisação de peritos prejudica 500

Médicos do INSS vão parar 1 vez por semana até avançar nas negociações com governo. Segurados que se sentirem prejudicados devem reclamar

ALECY ALVES
Da Reportagem
A paralisação dos médicos peritos do INSS ocorrida nesta quarta-feira prejudicou diretamente mais de 500 segurados da previdência social somente em Cuiabá. São pessoas que requereram benefícios, entre os quais o auxílio doença, e teriam obrigatoriamente que passar por avaliação médica pericial. Os peritos decidiram por um dia de paralisação nacional por semana, sempre nas quartas-feiras, até que o governo federal negocie a reedição da Medida Provisória 441, que trata da reestruturação da carreira. O delegado regional da Associação Nacional dos Médicos Peritos, Salvino Teodoro Ribeiro, explicou que a MP-441 é nova, foi recém-editada, mas não trouxe a redução do peso das filas de beneficiários na definição da Gratificação por Desempenho da Atividade Médica Pericial (Gedamp) e ainda mudou unilateralmente a nomenclatura da carreira do perito. Agora, os médicos são “médicos peritos previdenciários” e não mais “peritos médicos da Previdência”. “A mudança pode parecer simples, mas já está prejudicando a categoria”, reclamou. Quem planejava se aposentar em fevereiro de 2009, por exemplo, alegou, terá de trabalhar mais cinco anos para aguardar o tempo mínimo necessário à incorporação da Gedamp ao salário base. Ribeiro disse que nas rodadas de negociações com representantes do governo, com quem tiveram pelo menos 15 encontros, não houve discussão prevendo mudança nesse sentido. Salvino Ribeiro disse que os peritos não querem a vinculação dessa gratificação ao tamanho ou demora do tempo de espera dos usuários na fila, como ocorre hoje. Atualmente, contou, mesmo que a fila seja longa por questões administrativas, como sistema de informática fora do ar ou greve em outros setores, o valor da Gedamp sofre redução. Em Cuiabá, conforme ele, a demora entre o pedido e o chamado para a perícia caiu de 120 para 15 dias, às vezes, até menos, com o fim da figura do médico perito credenciado. Desde fevereiro de 2006, apenas os médicos concursados para o cargo estão autorizados a fazer perícia previdenciária. Em Mato Grosso, a Previdência dispõe de 64 peritos, dos quais 25 trabalham em unidade de Cuiabá e Várzea Grande. Cada um realiza uma média de 24 perícias ao dia, ou seja, 120 por semana. O salário base da categoria não passa de R$ 2 mil, mas com uma série de gratificações chega a R$ 7 mil. A Previdência Social informou, através da assessoria de imprensa nacional, que o trabalhador que foi às agências da Previdência e não conseguir ser atendido por causa dessa paralisação poderá remarcar o atendimento imediatamente. O agendamento pode ser feito na própria agência ou, se o segurado preferir, por ligação gratuita à Central 135. Segundo a Previdência, os médicos peritos foram informados que o governo está disposto a fazer ajustes na MP-441 com o objetivo de corrigir eventuais lacunas no que se refere à incorporação da avaliação de desempenho e à regulamentação da nova Gratificação de Desempenho.

Edição EDIÇÃO 16961




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