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CIDADES
Sábado, 21 de Março de 2009, 13h:50

MENINOS DE RUA

Pais incitam crianças-pedintes

THAÍSA ELIS
Da Reportagem
Mensalmente o Conselho Tutelar da Vila Operária recebe cerca de 50 denúncias relacionadas a crianças que passam o dia nas ruas pedindo dinheiro em semáforos, cuidando de carros ou vendendo produtos como salgados, balas e chaveiros. O Conselho trabalha mediante denúncias, retira as crianças da rua e as encaminha ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) para serem atendidas e cuidadas. O conselheiro José Belmiro Ferraz explica que em muitos casos, as crianças são retiradas da rua, e encaminhadas ao Peti. Porém, algumas retornam sendo até mesmo incentivadas pelos pais. Nesses casos, José Belmiro afirma que o conselho tutelar orienta os pais sobre os perigos que uma criança passa ao ficar na rua. Essa orientação é feita no intuito de fazer com que os pais não deixem as crianças voltarem às ruas. No entanto, segundo Belmiro, há casos em que o conselho encaminha uma criança ao Peti, os pais observam que isso é bom para eles, e em seguida colocam uma outra criança da mesma família na rua para receber tratamento. “Quando encontramos uma criança na rua e a encaminhamos ao Peti, nos deparamos com outro problema porque às vezes os mesmos pais colocam outro filho na rua e no Peti não há espaço para todos”, ressaltou. De acordo com o conselheiro, o maior problema é encontrar as crianças, porque o Conselho recebe a denúncia e quando chega ao local, a criança já saiu dali. Ele esclarece que depois que a criança é retirada da rua e os pais são orientados, os mesmos ficam de sobreaviso, porque se a mesma criança for encontrada na rua novamente, os responsáveis são notificados pelo Ministério Público. Um dos locais de maior concentração de crianças e adolescentes ‘trabalhando’ é na Vila Aurora. Segundo o conselheiro, o fluxo dessas crianças é maior naquela região devido os comércios de bares e restaurantes no bairro, principalmente na Avenida Lions Internacional. Segundo Belmiro, as crianças que ficam ali são todas daquela região com exceção de algumas que saem de outros bairros. Ele ainda lembra que na região de Vila Operária o fluxo de crianças pedintes também é considerável, especialmente na feira do bairro. O Conselho Tutelar recebe denúncias freqüentes de crianças que ficam na feira vendendo produtos. A coordenadora do Conselho Tutelar da região 1(conhecida também como região central), Sandra Regina Bonin explica que esse Conselho não recebe denúncias freqüentes sobre crianças na rua, porque o maior índice de denúncias acontece exatamente na região de Vila Aurora e Vila Operária, regiões que ficam sob a responsabilidade do Conselho Tutelar 2(Vila Operária). Porém, ela ressalta que as denúncias recebidas pelo Conselho 1 estão relacionadas a crianças que ficam nas ruas acompanhada dos pais. Esse ano foram registradas três denúncias de pais que acompanhavam seus filhos até o semáforo colocando-os para pedir dinheiro. De acordo com Sandra, dois desses casos aconteceram em frente o Banco do Brasil e o outro em frente uma casa lotérica. Conforme a coordenadora, geralmente os pais que colocam as crianças na rua para pedirem dinheiro não são moradores de Rondonópolis. “Geralmente os pais que encontramos com as crianças não são daqui, são pessoas de outras cidades que colocam as crianças para pedir”, pontua. Em casos como esses, os pais são notificados pelo Conselho Tutelar e também orientados a não colocarem os filhos nas ruas novamente, e que assim como no caso do conselho de Vila Operária, também são notificados pelo Ministério Público.

Edição EDIÇÃO 16964




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