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CIDADES
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012, 22h:32

BAIRROS

Os mau-agradecidos

Incorporadora de imóveis vai investir R$ 300 mil em obras públicas, mas líderes de bairros acham pouco

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Apesar de ter atendido todos os requisitos solicitados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), a construção de mais um condomínio residencial vertical das empresas Brookfield Incorporações, na avenida A, próximo ao Shopping Pantanal, foi alvo de críticas por parte de lideranças de bairros vizinhos em audiência pública, realizada ontem, em Cuiabá. Na audiência foi apresentado o estudo e relatório de impacto de vizinhança (EIV/RIV) que poderá ser gerado com a edificação do condomínio. “O estudo analisa questões urbanísticas. Um dos principais pontos é o impacto no trânsito”, destacou a diretora do Plano Diretor da SMDU, Catarina Gonçalves de Almeida. Segundo ela, com o condomínio, a população na região irá ter um incremento de cerca de sete mil pessoas. “Ainda assim, o sistema viário vai suportar e será possível a fluidez no trânsito”, afirmou Catarina Gonçalves, destacando obras nas principais vias de acesso ao empreendimento, como a duplicação da Juliano Costa Marques, além de outra obra prevista na Gonçalo Antunes de Barros (Jurumirim). O raio analisado é de 1,5 quilômetro. Para compensar os impactos, a empresa terá que realizar medidas mitigatórias, uma delas será aplicar R$ 100 mil em uma área verde localizada no Terra Nova, além de R$ 200 mil em equipamentos públicos, que inicialmente estão previstos para ser aplicado no Parque Dante de Oliveira, na região do Sucuri. As obras e o valor, no entanto, foram considerados “poucos” pelos moradores dos cerca de 10 bairros carentes existentes na região. “São medidas mitigatórias muito simples. Estão esquecendo o social e criando feudos em meio a esses grandes empreendimentos. Investir em questões como saúde, educação e centros de referência para idosos também gera valorização para o empreendimento”, disse o assessor jurídico da Associação de Moradores do Bela Vista, João Batista. De opinião semelhante é o presidente do Canjica, Moacir Domingos dos Santos. “Estamos sendo prensados e esquecidos. Não temos centros de saúde e sequer áreas de lazer”, destacou. O secretário da SMDU, Márcio Alves Puga, explicou que o valor empregado para mitigar os impactos é calculado levando-se em consideração a viabilidade econômica do empreendimento. Além disso, ponderou que as lideranças comunitárias poderão apresentar suas demandas à SMDU para que sejam analisadas e definida a aplicação dos R$ 200 mil.

Edição EDIÇÃO 16968




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