CIDADES
Quarta-feira, 28 de Março de 2012, 22h:34
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HABITAÇÃO
Ocupantes de área prometem resistir
Moradores do residencial Nova Canaã se dizem tensos e apreensivos com o processo de reintegração de posse da área que eles ocuparam
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Apesar do prazo de 20 dias concedido pela Justiça, os moradores da área denominada Nova Canaã, em Cuiabá, continuam tensos e apreensivos. Para eles, a decisão que suspendeu temporariamente o processo de reintegração de posse referente à área ocupada por 266 famílias só postergou o problema. O que a gente espera é uma solução definitiva do Governo, que tem um compromisso social com as famílias, reivindicou a estudante Luana Soares, 21 anos, que reside no local. O Governo não pode esperar chegar uma ordem judicial determinando o despejo das famílias, acrescentou. As famílias prometem resistir ao despejo. Desde agosto do ano passado, quando o proprietário do terreno, Armindo Sebba, obteve a liminar determinando a reintegração, as famílias negociam uma solução com o Governo do Estado. Ontem, representadas pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra, elas apontaram possíveis falhas judiciais no processo. A primeira delas seria que o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) não teria reconhecido Sebba como o verdadeiro dono do terreno, além das coordenadas geográficas não baterem com a área ocupada. À ação de reintegração de posse só tem direito àquele que exerceu alguma benfeitoria, como manter cercada e limpa a área, disse o ouvidor da Defensoria Pública, Paulo Lemos. No entendimento dele, a situação de abandono há mais de 30 anos, segundo relatam as famílias, configura que nunca foi exercido o direito de posse. Para ele, antes o suposto proprietário teria que solicitar judicialmente a reivindicatória de propriedade. Por fatos como estes, o defensor interamericano dos Direitos Humanos, Roberto Tadeu Vaz Curvo, acredita que deveria haver mais prudência. Até por se tratar de uma questão social, destacou. A situação das famílias poderá extrapolar os limites geográficos de Mato Grosso e ser levada à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Lemos afirmou ainda que antes a área servia como um abrigo para marginais, e hoje representa a realização do sonho da casa própria, a dignidade de vida e segurança. É assim que sente o autônomo Rogério Silva, 46 anos, mais conhecido como Careca. Pai de dois filhos com 11 e 14 anos, antes ele morava de aluguel. Essa situação toda só vai adiando o nosso sofrimento. Anteontem, a tarde a juíza Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, da 21ª Vara Cível, suspendeu por 20 dias o processo de reintegração. Na última semana, a mesma juíza havia expedido liminar determinando a retirada das famílias em um prazo de 48 horas. Porém, o defensor público Air Praeiro entrou com pedido de suspensão do cumprimento da liminar para que o Governo do Estado possa concluir as negociações com os moradores. Procurada pela reportagem do Diário, a assessoria de imprensa da Casa Civil informou que o chefe José Lacerda não iria se manifestar sobre o assunto.