CIDADES
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008, 21h:20
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TRAGÉDIA DE RONDONÓPOLIS
Nove de 30 testemunhas são interrogadas
THAÍSA ELIS
Da Reportagem/Rondonópolis
Nove testemunhas de defesa e acusação foram ouvidas ontem sobre a tragédia ocorrida no bairro Jardim das Flores, em Rondonópolis, no ano passado. Os depoimentos começaram às 8h e seguiram até as 17h30. Ao todo, 30 testemunhas foram chamadas a depor, sendo 27 da acusação e três da defesa. A segunda parte dos depoimentos acontecerá dia 15 de dezembro, a partir das 13h. A tragédia do Jardim das Flores, como ficou conhecida, causou a morte de um jovem de 13 anos e o ferimento de mais 12 pessoas que assistiam a uma simulação de seqüestro com refém em um ônibus, da Polícia Militar, ocorrida em maio de 2007, na cidade. De acordo com a promotora que atua no caso, Sazenassi Soares Rocha Alvembar, 12 pessoas serão ouvidas no dia 15. Aquelas que não foram na audiência ontem e não apresentaram motivos para tal serão obrigadas a comparecer na segunda etapa dos depoimentos. Cinco testemunhas não residem mais em Rondonópolis e serão ouvidas em seus atuais endereços. A promotora afirma que os depoimentos foram produtivos durante o dia e, mesmo com a audiência marcada para ser encerrada às 22h e ter terminando às 17h30, o caso não sofreu prejuízo com a extensão da data. Não estender muito foi a forma mais didática que encontramos para não atrapalhar a conclusão, garante. Já o advogado de defesa do réu Cleber dos Santos Souza, soldado da PM, Stalyn Paniago Pereira, explica que o adiamento dos depoimentos não alterou nem a defesa nem a acusação e que as testemunhas de acusação foram coerentes ao manter a mesma linha do acusado. Segundo ele, o adiamento para o dia 15 também se deu por conta do horário, da ausência de muitas testemunhas e pela necessidade de readequação das pautas. RETROSPECTIVA - No dia 26 de maio de 2007, o Grupo de Operações Especias (GOE) da Polícia Militar em Rondonópolis foi realizar uma apresentação no bairro Jardim das Flores sobre como agir em casos de seqüestros em ônibus. A ação foi realizada em um mutirão da prefeitura do município. O dia que seria de festa acabou em tragédia, com a morte do menino Luis Henrique Dias Bulhões, de 12 anos, e 12 pessoas feridas. A munição que devia ser usada nas armas era de festim, no entanto, em quatro armas de policiais a munição foi trocada por balas de verdade e, ao começar a simulação do tiroteio, algumas pessoas foram atingidas. A perícia técnica concluiu que a bala que matou o adolescente saiu da arma do soldado Cleber dos Santos Souza, que está sendo indiciado pelo crime. Os procedimentos para investigações do fato duraram cerca de nove meses e a denúncia contra o soldado foi recebida no dia 22 de janeiro de 2008 pela Justiça.