Boemia, paternidade com responsabilidade e matrimônio com companheirismo e respeito. Essa parece ser uma associação de três ingredientes incompatíveis à vida daqueles que gostam da noite, de viver de bar em bar. Não no caso do escritor Rubens de Mendonça, especialmente porque encontrara a esposa ideal. Ivone Badre é descrita por Adélia Brade Mendonça de Deus, a única filha do casal, como uma grande admiradora e companheira do marido. Aos 17 anos, Rubens ficou noivo de Ivone, mas os dois somente se casaram 23 anos depois, quando ele tinha 40 anos. A filha se recorda que o pai costumava chegar em casa com os amigos, no meio da madrugada, depois que saiam do bar. A mãe, com um bom humor que impressionava Adélia, não só acordava para receber o marido e os amigos como atendida a todos com lanches. A paixão dele pela vida noturna, pela convivência com os amigos nos bares cuiabanos famosos da época, entre os quais do Bugre e Internacional, não o afastava da família. Adélia garante que o pai era carinhoso e presente na vida dela e da mãe. E enchia a casa de alegria. Meus pais não brigavam, quando meu pai via alguém triste inventava uma brincadeira ou escrevia algo para alegrar o ambiente. Na mente de Adélia, a principal obra do reverenciado escritor não seus primores literários, mas o legado afetivo. A figura paterna é sua maior obra, avalia. Ele era um homem à frente do seu tempo, conseguia cativar crianças e jovens de todas as idades, nossa casa vivia cheia porque todos queriam conversar com ele. (AA)