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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 31 de Março de 2012, 13h:31

POLÍCIA

Noche inolvidable

Turistas argentinos são acusados de roubo em boate de Cuiabá, mas dizem que foram vítimas de uma armação

JARDEL PATRÍCIO ARRUDA
Da Reportagem
A noite de sexta-feira (30) terá o gosto férrico de sangue na lembrança de dois argentinos que tentavam se divertir em uma boate de Cuiabá. Acusados de terem furtado uma garota, eles foram presos em flagrante após terem lutado, e levado a pior, contra uma guarnição da Rotam. Segundo o boletim de ocorrência (BO), tudo teria começado quando os estrangeiros, os irmãos Luis Marcelo Lujam, 28, e Ignácio Augustin Lujam, 25, tentaram dançar com Raquel Rocha, 28, e com a amiga que a acompanhava. Elas teriam recusado a dança. Em seguida, Raquel deixou sua bolsa sobre uma mesa para poder posar para uma foto, junto da amiga e na companhia de Robson Rocha, seu irmão, e Franco Nascimento, ambos policiais militares. Nesse instante os argentinos teriam roubado a bolsa. Franco Nascimento e Robson Rocha fizeram a ligação do desaparecimento da bolsa com a negativa das garotas em dançar com os estrangeiros e começaram a procurá-los. Um dos argentinos teria sido encontrado ainda na saída da boate, localizada da Avenida Getúlio Vargas. O outro teria se lançado em fuga de carro. “Depois de ir checar os banheiros, encontrei um deles (dos argentinos) na saída da boate. Comecei a perguntar para ele da bolsa e do companheiro dele. Foi aí que o outro passou de carro e fomos atrás dele”, conta o policial Franco Nascimento. Para alcançar o suposto fujão, Franco e Robson pediram apoio de uma guarnição da Rotam. Em alguns instantes o carro do argentino foi alcançado na Avenida Marechal Deodoro e, somente após luta corporal ele teria se entregado. Dentro do carro, além de várias garrafas de vinhos argentinos, a polícia afirma ter encontrado a máquina fotográfica e os celulares das duas garotas. Contudo, a versão dos irmãos argentinos é bem diferente. Sentados no chão de uma cela do Centro Integrado de Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) Planalto, com as roupas sujas e vários hematomas nos rostos, os dois falavam apressadamente e ao mesmo tempo. De acordo Ignácio, ele e seu irmão são vítimas de uma armação apenas porque estavam dançando com as duas garotas. “Eles não gostaram disso”. O argentino diz que o mais jovem ficou assustado e por isso fugiu. Segundo Ignácio, durante a perseguição a Luis Marcelo, os policiais dispararam cinco tiros. “Fomos agredidos. Olha só”, disse, apontando a boca do irmão, com três dentes frontais a menos. “Não precisamos roubar uma bolsa. Sou engenheiro de eletrônicos e meu irmão é administrador em turismo”, continuou, tentando se justificar. “Ele fala sete línguas”, completou, apontando ao irmão, tentando ressaltar a escolaridade de ambos. Eles contam que estavam em meio a uma viagem por todo o Brasil, a segunda deles. “Nós gostamos do Brasil. Por isso voltamos”. Indagados se vão mover alguma ação contra os policiais, ambos disseram que vão procurar seus direitos.

Edição EDIÇÃO 16959




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