NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 21 de Março de 2009, 13h:49

DOUTOR FÁBIO II

No Dia da Água, muitos comemoram pouco

Nada menos do que 16 mil pessoas que residem na Capital não recebem água tratada; a maioria vive na dependência da água que coleta quando chove

KEITY ROMA
Da Reportagem
Não é preciso ir longe do centro de Cuiabá para chegar a um lugar onde um pingo d´água vale ouro. Hoje celebra-se o Dia Mundial da Água, mas alguns cuiabanos como a dona-de-casa Maria da Paz Rocha, de 57 anos, não tem muito o que comemorar. A mulher garante que dia feliz, é quando chove. A água da chuva semanal garante a normalidade dentro do lar há seis anos. Ela faz parte de um universo que compreende cerca de 16 mil cidadãos da Capital que não recebem água tratada. “Quando chove é uma alegria só. Espalho baldes e tambores do lado de fora da casa, tiro a tampa das caixas d´água e manilhas que ficam no chão. Antes disso, espero alguns minutos para a água limpar o telhado, que fica sob os potes e servem como uma bica. A água cai direto”, conta a moradora do bairro Doutor Fábio II. Maria corre contra o tempo. “Começou a chover eu já coloco tudo no jeito, porque se a chuva passa rápido, é menos água para a semana”. Com três caixas d´água de mil litros cada, uma de 500 litros e diversas vasilhas, a dona-de-casa separa a água para lavar a roupa da água que usará para beber e tomar banho. Na casa moram ela e o marido aposentado, de 77 anos. Para mostrar que a água está limpa, ela abre um dos recipientes, onde a terra se assenta no fundo. Aquela água é para beber. “É limpa. A gente coloca um remédio do Posto de Saúde e não tem problema nenhum em tomar”, garante Maria, referindo-se ao Hipoclorito de Sódio distribuído nas unidades de Saúde. Já na caixa d´água com o líquido para lavar as roupas, é impossível conter a entrada de insetos. No período de seca, quando a chuva não vem, o jeito é comprar a água. “São R$75 reais a cada semana para encher todas as minhas vasilhas. Meu marido está doente e a gente passa uma situação bem difícil, mas como é que vive sem água nesse calor?”, questiona. Maria conta que foi até a Sanecap, se registrou, mas o encanamento não chega até sua casa. Trajeto diferente foi o da conta no final do mês. “Além de comprar a água do caminhão, eu estava recebendo a cobrança da Sanecap de R$30 por mês. Joguei as contas todas no lixo”, indigna-se. Ela recorda-se que há dois anos passou duas semanas sem água, por falta de dinheiro. “Lavava roupa na casa da minha filha, e uma vez por semana emprestava um pouco de água do vizinho, pelo menos para tomar banho e beber, nada mais”. Enquanto Maria e a vizinhança pagam valores absurdos para receber o líquido, o preço médio pago na Capital em uma família de cinco pessoas é de R$ 35 em uma conta, segundo o engenheiro da Sanecap, Noé Rafael da Silva. Ele informa que 10 mil litros custam R$ 16 ao consumidor. O problema na Capital não é novo. O engenheiro afirma que de acordos com dados do IBGE, 97% da população não recebe a água tratada. Alguns bairros, mais de 30, dependem de poços tubulares para receber o líquido, sempre em dias alternados. Aonde os encanamentos chegam, são distribuídos 228 milhões de litros d´água tratados pela Sanecap por dia. Não bastasse a ineficiência na prestação do serviço público na periferia, Noé pontua que enquanto falta água para dona Maria, o líquido é muito desperdiçado em outros bairros.

Edição EDIÇÃO 16964




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL