CIDADES
Quarta-feira, 18 de Abril de 2007, 21h:19
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Nilce, mãe de Yuri, irá buscar a Justiça para esclarecer fatos
ALECY ALVES
Da Reportagem
A repórter-fotográfica Nilce Guirado, mãe do pequeno Marcos Yuri de Oliveira Guirado, de 10 anos, disse que vai recorrer à Justiça na tentativa de esclarecer as circunstâncias da morte do filho e de responsabilizar o tenente-coronel Reinaldo Magalhães pelo acidente. Muito abalada, Nilce contestou as informações que inicialmente levavam a crer que seu filho havia pego a arma no guarda-roupas da casa do oficial PM e, acidentalmente, atirado nele mesmo. Meu filho, que estava indo na casa do tenente-coronel pela segunda vez, jamais se comportaria com essa liberdade, enfatizou Nilce. Além disso, conforme Nilce, o outro garoto que estava na casa, um adolescente de 14 anos, contou que o filho do tenente-coronel, que tem 12 anos, teria exibido três armas do pai. Primeiro pegou duas armas e, fazendo brincadeiras mirando na direção dos colegas, acionou o gatilho de ambas, um de cada vez, mas nenhuma tinha munição. Em seguida, o adolescente teria trazido até a sala, onde assistiam ao filme Todo Mundo em Pânico 4, a terceira arma, a pistola 0.40 com a qual Marcos Yuri foi morto. Naquele momento, o garoto teria ouvido pedidos dos colegas para parar com a brincadeira de mirá-la na direção deles. Entretanto, acionou o gatilho e um projétil, o único que teria na arma, atingiu o olho de Yuri matando-o instantaneamente. Nilce disse que não está duvidando de que o disparo foi acidental, uma fatalidade, mas quer que a apuração do fato mostre como tudo realmente aconteceu. Eduquei meu filho para não lidar com armas, nem mesmo as de brinquedo, completou ela. Na avaliação de Nilce, o maior erro nessa tragédia está na presença e forma como a arma estava guardada. Como pode alguém como um coronel manter arma em casa ao alcance de crianças?, indagou a mãe de Yuri. De acordo com a mãe, ao contrário do que veio a público no dia seguinte à morte, Yuri não apresentava perfuração de bala em uma das mãos. Afastada do trabalho há dois anos por causa de uma série de doenças emocionais, entre as quais depressão e síndrome do pânico, Nilce Guirado parece não encontrar forças para suportar a dor da perda do filho. Agora, o que vou fazer da minha vida? Deus poderia me levar também, disse, demonstrando tristeza profunda. Sem conter as lágrimas, ela repetiu inúmeras vezes que filho era uma criança carinhosa, que mesmo aos 10 anos se preocupava com a saúde e a aparência dela. Mãe, vou cuidar de você sempre, dizia habitualmente Yuri à mãe. Na semana passada, contaram Nilce e a filha Daiara Guirado, Yuri acordou pela manhã dizendo que havia sonhado que tinha sido baleado quando passava por uma rua.