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CIDADES
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 21h:01

FOGO CRIMINOSO

MT tem 620 focos em 24h

Registro foi feito no final de semana por satélites do Inpe. No entanto, PA ocupa 1° lugar do Brasil

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
Em apenas 24 horas, no intervalo entre domingo e segunda-feira, foram registrados 620 focos de calor em Mato Grosso. Os dados do sistema de Monitoramento de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) colocam o Estado em segunda posição no ranking, só perdendo para o Pará, que registrou 743 focos no mesmo período. Somente no primeiro mês do período proibitivo para qualquer tipo de queimada, foram cerca de 4,5 mil focos, segundo informações do Comitê de Gestão do Fogo, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. A data de alerta vai até o dia 15 de setembro. “Ainda assim percebemos uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este ano tivemos menos 300 focos de calor”, afirmou o coordenador do Comitê, coronel Alessandro Borges. Um foco de calor não corresponde, necessariamente, a um ponto de queimada. O ponto de calor indica a existência de fogo que pode variar de 1 km x 1 km até 5 km x 4 km. Neste ponto da imagem identificada pelo satélite, pode haver uma ou várias queimadas distintas, que a indicação será de um único foco. Outra possibilidade é de vários pontos da imagem, os chamados pixels, corresponder a uma única queimada, se ela for muito extensa. Para identificar a dimensão do estrago que o fogo causa somente com constatação in loco, segundo a Sema, já que a superposição das imagens dos satélites do Inpe não são capazes de dimensionar o tamanho da área que está queimando ou o tipo de vegetação afetada. A responsabilidade cabe a 150 homens do Corpo de Bombeiros. “Em alguns municípios, com mais condições, contamos com a ajuda de brigadistas”, explicou o coronel Alessandro. Em Cuiabá, 10 homens do projeto Quadrante reforçam a equipe de combate ao fogo. No primeiro mês de funcionamento, o disk-denúncia da prefeitura registrou 79 chamados, todos confirmados. Outros 181 casos de queimada no perímetro urbano foram registrados via 193, desde janeiro deste ano. A prática é proibida durante todo o ano, segundo lei municipal. “A limpeza de terreno, onde se armazena lixo ainda é a grande causa desses focos na cidade”, afirmou o major Márcio Paulo, coordenador do projeto Quadrante. SEM MULTAS - A maior dificuldade, segundo Paulo, é a repressão. Desde o início do ano foram distribuídas 900 notificações. “Nós não temos como multar, porque não tem como provar que o proprietário do terreno foi o causador do fogo”. Dessa forma, segundo o major, as notificações acabam originando diversos recursos. “Nesta época piora, porque enfrentamos o período de estiagem e a vegetação fica mais suscetível a esse tipo de dano”, completou. Além disso, a expansão da cidade gera, segundo ele, novos focos urbanos onde se acumula lixo, e, consequentemente gera queimada. “A prefeitura não dá conta de atender a demanda e a população, incomodada, queima o lixo”. Essas ocorrências são mais comuns nos bairros periféricos da cidade como Pedra 90, CPA, Parque Cuiabá, Nova Aparecida, Ribeirão do Lipa, Santa Izabel, Jardim Florianópolis e Jardim Vitória. “Vamos realizar, durante quinta e sexta-feira, ações de educação e conscientização ambiental nesses locais”, explicou.

Edição EDIÇÃO 16960




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