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CIDADES
Quinta-feira, 06 de Maio de 2010, 21h:16

AFOGAMENTO

MP não vê prejuízo em inquérito

O Ministério Público se manifesta hoje na Justiça sobre a tentativa da Defensoria Pública, a pedido de policiais do Bope, de trancar o inquérito civil que investiga a morte por afogamento do soldado alagoano Abinoão Soares de Oliveira, 34 anos, durante treinamento da Secretaria de Segurança Pública (Sejusp). A manifestação do MP foi solicitada pela delegada que preside o inquérito civil e, segundo o promotor Vinicius Gahyva, a atuação da Polícia Civil não prejudica em nada as investigações. “A princípio, o inquérito civil só evita a suspeita em relação à atividade conduzida pelos militares. Não podemos limitar o Estado de apurar o que é de interesse público e que teve até repercussão nacional”, declarou o promotor. Gahyva tem acompanhado os inquéritos civil e militar que apuram a morte de Abinoão (no sábado, 24). Ele explicou que só recebeu o processo ontem à tarde e, por isso, seu posicionamento ainda poderia mudar. Entretanto, considerou que “evitar que as instâncias devidas investiguem o caso é uma medida temerária”. Os relatórios dos dois inquéritos e a manifestação do MP servirão de base para que a juíza Lúcia Perufo decida se defere o pedido de habeas corpus impetrado pelo defensor público Ademar Monteiro da Silva em nome de sete policiais do Bope. A intenção do defensor na ação judicial é trancar o inquérito civil, por considerar que o episódio em questão constitui um caso de natureza militar e, portanto, somente um inquérito militar poderia apurá-lo. O temor é de que, caso o pedido seja deferido, as reais circunstâncias da morte de Abinoão fiquem sujeitas a algum tipo de acobertamento, uma vez que a Polícia Militar não revelou nada, até o momento, sobre o andamento de suas investigações sobre o caso. Há suspeitas de que Abinoão teria sofrido um “caldo” durante a parte aquática do treinamento de Tripulação Operacional de Multimissão (TOMM), realizado na lagoa de Manso; ele teria sido forçado na água numa brincadeira que, desta vez, teria dado em tragédia. Outros três alunos do curso passaram mal, mas resistiram. Abinoão chegou a ser levado ao Pronto-Socorro de Cuiabá, mas não aguentou. O curso reuniu alunos de diversos Estados, dentre eles civis (inclusive instrutores), mas o defensor Monteiro insiste que a natureza do episódio é militar. Enquanto a Justiça não decide sobre a ação da Defensoria, a investigação civil prossegue. Ontem, a delegada Ana Cristina Feldner ouviu mais cinco testemunhas, incluindo um médico do Corpo de Bombeiros e o comandante do Bope. Todos os alunos já foram ouvidos, inclusive os três que passaram mal durante o treinamento. (RD)

Edição EDIÇÃO 16960




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