CIDADES
Quinta-feira, 06 de Setembro de 2012, 20h:54
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PROTEÇÃO À CRIANÇA
MP investiga fragilidade da rede
Promotor está preocupado com a possibilidade de crescimento dos casos de prostituição infantil durante a Copa de 2014
Laura Nabuco
Da Reportagem
A estrutura física deficiente do prédio da Delegacia Especializada dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) motivou o Ministério Público Estadual (MPE) a instaurar um inquérito para avaliar as políticas de combate à exploração sexual de menores durante a Copa do Mundo de 2014. As investigações tiveram início a partir da vistoria realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e Corpo de Bombeiros na sede da Deddica. O relatório apontou deficiências estruturais como fragilidade na rede de saneamento; iluminação precária, havendo quartos e salas totalmente no escuro; além da ausência de equipamento de combate a incêndios. A maior preocupação do MPE, no entanto, é quanto à possibilidade de aumento dos casos de prostituição infantil no período em que Cuiabá receberá grande volume de turistas, conforme o promotor de Justiça Alexandre Guedes, responsável pela condução do inquérito. Um dos maiores desafios na organização de qualquer evento grandioso, como a Copa, é evitar a exploração sexual de menores. Isto está previsto na Matriz de Responsabilidade da FIFA, então queremos saber que tipo de projeto está sendo elaborado, ressalta. Para a presidente da Comissão Interestadual do Centro-Oeste para Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes (Circo), Dilma Camargo, a migração à Capital estimulada pela oferta de empregos neste período de preparação para a Copa pode ser o início do boom da prostituição infantil. Mato Grosso ainda não apresenta grandes índices, mas, com a oferta de empregos nessas obras, muitas pessoas têm vindo para Cuiabá. Quando este trabalho terminar, a cidade pode não ter demanda para absorvê-las no mercado de trabalho, explica. Para evitar o problema, a Circo tem desenvolvido junto a empresários de setor hoteleiro e comunidades carentes projetos de conscientização. As medidas foram adotadas após reuniões com representantes que atuaram na Copa da África do Sul, realizada em 2010. Eles mostraram os resultados que obtiveram e, agora, estamos preparando um material que seja mais atrativo aos jovens. As instituições que compõem a comissão, no entanto, até agora não receberam qualquer apoio ou incentivo do governo do Estado, que organiza as políticas para o Mundial por meio da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa). Se eles têm algum projeto, nós não estamos sabendo, porque não fomos procurados, diz a presidente. Na Secopa, a informação é que todos os programas que envolvem a segurança são de responsabilidade das Polícias Civil e Militar, vinculadas à Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). A única ação relacionada ao tema que a Polícia Civil citou, no entanto, é a reforma do prédio da Dedica. Obras que ainda está fase de projeto e só deve ser licitada em 2013.