CIDADES
Terça-feira, 17 de Abril de 2012, 22h:21
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SAÚDE
Moradores se tornam fiscais da dengue
Cansados de esperar pela ação dos órgãos públicos, moradores de bairros de Cuiabá começaram a atuar como fiscais no combate à dengue
ALECY ALVES
Da Reportagem
Cansados de esperar pela ação dos órgãos públicos, moradores de bairros de Cuiabá começaram a atuar como fiscais no combate à dengue, fotografando e denunciando locais onde há acúmulo de lixo que oferecem condições à reprodução do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença. Do bairro Tijucal, o Diário de Cuiabá recebeu uma série fotos feitas pelo morador Edézio Arruda, apontando 18 locais que podem ser criadouros do mosquito. Foi nesse Tijucal que, na semana passada, morreu um morador, de 33 anos, com dengue hemorrágica. Entre os locais registrados por ele estão, por exemplo, uma serralheria e uma borracharia que transformaram a rua e a calçada em depósitos de lixo. Nesses locais há pneus, sucatas de carros, estofados, latões e outros recipientes que podem acumular água da chuva. Edézio também mostra um ferro velho e um pregão com móveis velhos como fogões, armários e carcaças de computadores, além de quintais de residências, comércios, empresas e até de uma igreja evangélica com lixo da dengue. O Tijucal, conforme dados divulgados dias atrás pela Vigilância Epidemiológica, está entre os que apresentam os mais altos índices de infestação predial, ou seja, a presença de larvas e mosquitos. De cada 100 moradias, pelo menos 10 estariam infestadas pelo inseto, um índice que representa muitas vezes o aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 1% das residências. Além de fotografar os ambientes, Edézio Arruda reclama que o bairro está esquecido pelo poder público, completando que além da falta de fiscalização e limpeza, ações que poderiam prevenir a doença, a policlínica que poderia atender os moradores, que funciona no bairro Pascoal Ramos, frequentemente está sem médicos. Com sintomas de dengue, diz, esteve outro dia nas policlínicas do Pascoal Ramos e na do Pedra 90 e nenhuma tinha clínico-geral, denunciou. Resolveu, então, prosseguir em busca de atendimento na Policlínica do Coxipó, onde havia apenas um clínico e mais de 100 pessoas esperando atendimento. Na Policlínica do Verdão, relatou ele, foi informado que o médico havia pedido exoneração. O poder público tem que agir em nosso bairro, apela, sob pena de fazer uma campanha para que os moradores não paguem mais impostos.