Mais de 200 policiais militares participaram ontem de palestras sobre o atendimento de ocorrências envolvendo agressões a mulheres. As orientações foram proferidas pela juíza Ana Cristina Silva Mendes e a promotora Lindinalva Corrêa, que atuam na 1ª Vara de Combate à Violência Doméstica de Cuiabá. O evento foi realizado no auditório do Comando Geral da PM em Mato Grosso e durou cerca de duas horas. Todos temos esposas, filhas e não queremos que passem por uma situação de agressão física. No dia-a-dia somos nós que estamos na linha de frente para o atendimento dessas ocorrências e necessitamos estar preparados, declara o comandante-geral da PM, coronel Campos Filho. A juíza Ana Cristina Silva Mendes destaca que, como a PM está na ponta do atendimento a vítimas, são membros da corporação quem precisam prestar o atendimento social e até psicológico. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) veio a criar novos mecanismos para proteção das mulheres, mas ainda sentimos resistências na aplicação. O preconceito ainda existe na sociedade como um todo, em todos os ambientes e classes sociais, ressalta a magistrada. Os números da violência contra a mulher são cada vez mais alarmantes. De acordo com a promotora Lindinalva Corrêa, de cada 100 mulheres mortas, 70 foram vítimas de maridos, ex-companheiros ou namorados. Em 2008, 90% das mulheres assassinadas na região da Baixada Cuiabana teriam sido vítimas de crimes passionais.