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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 28 de Março de 2009, 14h:00

VIDA DE PRF

Milhares de ocorrências esperam novatos

Entre casos registrados em 2009 estão 10 mil autuações e 192 prisões, num universo de crimes que fará parte da rotina de 154 aspirantes

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Dados da Superintendência Regional da Polícia Rodoviária Federal mostram que somente neste ano, os PRFs já fiscalizaram 66.879 veículos, apreenderam 21 carros e 164 carteiras de habilitação (CNHs) e procederam 9.997 autuações e a detenção de 192 pessoas, além da apreensão de drogas, madeiras, peixes e encaminhamento de 38 menores em Mato Grosso. Esse é o espelho da rotina atribulada que passará a ser enfrentada por 154 aspirantes a policiais em fase de treinamento no Estado. Do total de ocorrências registradas pela PRF este ano, de 759 acidentes registrados, os policiais rodoviários prestaram pré-atendimento a 354 pessoas feridas, mas também registraram 56 mortes. O trabalho exige dedicação exclusiva. No Estado, são 309 PRFs efetivos espalhados pelos 17 postos ou unidades administrativas da instituição policial que cumprem uma jornada de 24 horas trabalhadas por 72 horas de folga (em se tratando de atividade nas estradas). “Mas a gente pode ser convocado a qualquer momento”, diz o PRF, Fábio Veloso Pastor de Andrade, 31 anos, dos quais sete dedicados à instituição. Pastor, como é chamado, é instrutor de Defesa Pessoal. Ele atua na área afim (estrada) na Delegacia de Cáceres, município a 225 quilômetros, ao Sudoeste da capital, e vizinho a Bolívia, país de onde vem a cocaína apreendida no Estado. Ultimamente ministra curso na sua especialidade para os 154 aspirantes a PRFs, que integrarão nos próximos meses a corporação e, consequentemente, amenizar a sobrecarga de trabalho enfrentado pelos atuais policiais. Ele garante que a profissão é apaixonante. “Nosso principal objetivo é preservar a vida, então, não tem como não ser gratificante”, disse ao ser indagado se o trabalho não é estressante. O chefe-substituto do Núcleo de Acidentes da PRF, inspetor João Ribeiro de Miranda, também fala da satisfação em trabalhar pela sociedade. “Não gostaria de exercer outra função. Como policial rodoviário federal temos a oportunidade de ajudar muita gente, muitas vezes, num momento que a pessoa se encontra numa situação de fragilidade ou dificuldade”, destaca Miranda. Como exemplo, ele cita o auxílio que ele e sua equipe prestou, durante uma madrugada, a uma senhora que entrou em trabalho de parto em plena estrada. “Já salvei vidas e ajudei a trazer vidas”. Tanto Pastor como Miranda garantem que nunca foram desacatos. Para eles, tudo depende da postura do policial. “Cabe ao policial estabelecer limite para evitar que se chegue a este ponto”, frisa Miranda. Ao citar situações de alta periculosidade, Pastor também lembra que não se pode subestimar o trabalho. “O perigo nos deixa em alerta para executar o trabalho de maneira segura e eficiente”. Vale ressaltar que freqüentemente, a PRF também intervém de forma preventiva na mediação e controle de conflitos sociais envolvendo movimentos como de trabalhadores rurais sem terra, de indígenas e de protesto de produtores rurais. Recentemente também foi designada aos PRFs a fiscalização da venda de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos localizados às margens das rodovias. Em Mato Grosso, os PRFs contam como instrumento de trabalho equipamentos como radares, etilômetros (bafômetros), pistolas, computadores de mão para aplicar multas e para o repasse de informações, detector de metal, além de viaturas e motos. Anualmente, os policiais rodoviários federais cumprem um extenso calendário operacional, especialmente, em ações em feriados e fins de semanas prolongados. O trabalho está inserido no cenário das políticas públicas voltadas à segurança nas rodovias e estradas federais de Mato Grosso. Mas, após ter sido integrada à estrutura organizacional do Ministério da Justiça (MJ), a PRF teve sua área de atuação ampliada, absorvendo uma série de atribuições, além da fiscalização de trânsito e atendimentos a acidentes e às vítimas. Ampliação que pode ser explicada pelo fato das mais diversas ramificações do crime poderem ser combatidas nas rodovias federais devido à inter-relação entre ações criminosas como o contrabando e descaminho, transporte ilegal de madeiras e de animais silvestres, trabalho escravo, a exploração sexual infantil-juvenil, o tráfico de pessoas ou de entorpecentes.

Edição EDIÇÃO 16965




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