CIDADES
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 01h:53
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MÉDICOS DE CUIABÁ
Menos da metade formaliza demissões
Apenas 25 dos 67 médicos anunciados como demissionários estão com pedidos de demissão formalizados junto à prefeitura de Cuiabá. O número, reduzido, foi motivo de preocupação entre os profissionais ontem, durante a assembléia geral do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), na qual a categoria novamente rejeitou todas as propostas do município sobre seus 14 pontos de reivindicação. O temor é de que o panorama seja de enfraquecimento do movimento, que completa quase um mês de tensão e negociações com a administração municipal por melhorias salariais e de estrutura de trabalho. As demissões devem ser homologadas ainda esta semana, provavelmente hoje ou amanhã, pelo prefeito Wilson Santos, que se comprometeu a receber os representantes dos médicos. O prefeito também marcou a assembléia, que tomou boa parte da noite de ontem, com uma participação polêmica, durante a qual enfatizou o fato de os médicos estarem com número reduzido de demissionários. O prefeito também lembrou que, nos últimos dias, alguns profissionais pediram para retirar seus nomes da lista dos demissionários enviada à prefeitura. Santos não quis especificar o número de desistentes, mas chegou a comentar que é inferior a 10. A constatação gerou comentários paralelos dos sindicalizados, preocupados com a eficácia do movimento, caso ele não ocorra em massa. Entre a categoria, pôde ser notada uma divisão em nível de comprometimento de acordo com as especialidades. Diante dos comentários de que nem todos estariam levando até o fim os pedidos de demissão, os profissionais especularam a falta de engajamento uns dos outros, exceto dos cirurgiões do box de emergência do Pronto-socorro de Cuiabá (PSC), cuja reforma parcial inicia no dia 13 de outubro. Os cirurgiões foram os primeiros a anunciar demissões. O que está faltando aqui, gente, é comprometimento do resto da categoria, comentou o presidente do sindicato, Luiz Carlos Alvarenga. Ontem, os médicos entraram em assembléia sem perspectiva de votar um possível fim do movimento. Além disso, vieram de uma rodada de negociação tensa com a prefeitura, intermediada ao longo da tarde inteira pelo Ministério Público Estadual (MPE). Embora tenha havido consenso ou encaminhamento em alguns dos 14 pontos de reivindicação apresentados pelos médicos, prefeitura e profissionais da rede pública municipal continuam sem acordo em relação às questões salariais, principais motivações do atual movimento da categoria, ao lado dos problemas de estrutura para trabalho. O prefeito sustentou, tanto na reunião de tarde quanto na assembléia, que a administração municipal não possui recursos para empreender o aumento salarial exigido pelos médicos, uma situação da saúde pública apontada por ele como generalizada em todo o país. Santos não divulgou, mas assegurou que já possui um plano B para a Saúde municipal, caso os médicos formalizem suas demissões em massa. Só não quis divulgar o tal plano por não querer usá-lo como instrumento de pressão antes do fim das negociações, com nova rodada marcada para amanhã.