CIDADES
Sexta-feira, 27 de Março de 2009, 20h:59
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ABUSO SEXUAL
Menina Down é estuprada
Suspeita é de que criança de 12 anos foi violentada por funcionário da Apae do Porto, dentro da unidade
KEITY ROMA e ADILSON ROSA
Da Reportagem
Uma menina portadora de Síndrome de Down, de 12 anos, sofreu abuso sexual e aponta um funcionário da Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (Apae) do Porto como o autor do crime. A mãe da menina, Edna Francisca Oliveira, registrou dois boletins de ocorrência e garante que os estupros vêm se repetindo desde o ano passado. Ela afirma ter procurado a direção da unidade antes do caso se agravar, mas a instituição teria se omitido diante das acusações. A menor frequenta a Apae há quatro anos. No meio do ano passado ela chegou em casa reclamando de dor. Na hora que fui dar banho vi que ela estava suja nas partes íntimas. Perguntei quem mexeu nela e ela falou que foi o Oli, relata a auxiliar de serviços gerais. Oli seria o apelido de um funcionário do setor administrativo. Após a desconfiança, Edna relata que não tocou mais no assunto. Preciso trabalhar o dia todo para sustentar a gente. Somos só eu e ela e fiquei com medo de perder a vaga (na Apae). Depois disso, a criança teria chegado suja de esperma em casa outras vezes. Como a menina ia para a unidade às 7h e saía com a mãe por volta de 18h, Edna acredita que os estupros só podem ter acontecido dentro da instituição. Eu busco ela todo dia. Quando chegava em casa, ela reclamava de dor no banho e eu via a sujeira. Edna afirma ter ido à instituição em outubro de 2008, cinco meses atrás, para conversar pessoalmente com a diretora da unidade, Silvia Cristina Artal. Ela não fez nada e nem disse que faria alguma coisa. No final do ano a criança entrou em férias e quando as aulas recomeçaram, em fevereiro, os abusos aconteceram novamente, diz a mãe. No dia 17 deste mês ela chegou em casa muito machucada. Então, no dia seguinte, registrei um boletim de ocorrência na Delegacia de Várzea Grande, onde trabalho. Depois levei minha filha para fazer os exames no IML (Instituto Médico Legal) e no Hospital Julio Muller, onde ficou comprovado que ela foi abusada. Apesar da iniciativa, o caso continuou sem solução. O resultado do exame teria sido enviado à diretoria da Apae. Como anteontem (26) a garota chegou em casa com sinais de abuso, a mãe a levou novamente para registrar boletim de ocorrência, desta vez no Cisc do Planalto, em Cuiabá. A menina passou por outro exame de conjunção carnal. O delegado Alcindo Rodrigues registrou o caso e o encaminhou à Delegacia da Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica). A delegada da unidade, Mara Rúbia Carvalho, ouviu a diretora da Apae ontem e cogita a possibilidade de indiciar a entidade pelo crime de omissão. Silvia afirmou à delegada que afastou das atividades o funcionário sob suspeita, conhecido apenas como Orivaldo, no último dia 20. Contudo, a versão não coincide com a data da última denúncia. A delegada informou que o suspeito estava sendo procurado, mas não havia sido encontrado. Não há mandado de prisão. No final da tarde, o advogado do suspeito, João Otoniel de Matos, compareceu à Deddica e disse que o cliente é inocente e se apresentará na terça-feira. A delegada frisa que serão necessárias investigações mais aprofundadas para comprovar as denúncias. Ela não descarta a possibilidade de o autor do crime ser outra pessoa. Precisamos saber onde essa criança mora e quem são as pessoas que convivem com ela. Ainda é cedo para se fazer uma acusação definitiva. O que existe contra o funcionário da instituição até o momento é palavra da vítima. A direção da Apae se recusou a falar sobre o fato.