As pessoas que ligam para o Disque-Silêncio da prefeitura de Cuiabá para reclamar do excesso de barulho podem ter que fazer justamente o que não pretendiam: resolver o problema sozinhas. A primeira orientação passada pelos atendentes é para que o reclamante tente resolver o problema por conta própria. O programa Disque-Silêncio, coordenado pelo Controle da Poluição Sonora da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Smades), tem como objetivo limitar sons ou ruídos que possam provocar incômodos e interferir na saúde e no bem-estar das pessoas. De acordo com o projeto, as denúncias devem ser cadastradas e atendidas em sequência, com a ajuda da Polícia Militar, mas nem sempre isso acontece. Um morador do Recanto dos Pássaros, que pediu para não ser identificado, contou à reportagem que ligou para o telefone do Disque-Silêncio para reclamar do excesso de barulho na vizinhança. O atendente sugeriu que o morador se apresentasse ao vizinho para reclamar. A minha intenção era não me indispor com a pessoa que mora ao lado da minha casa, mas se fosse seguir a orientação do disque-denúncia, era justamente isso que eu ia acontecer, relatou. Na verdade, o que eu queria era que algum fiscal fosse para lá, fizesse a medição do volume de ruído e tomasse alguma providência, disse o morador. A recomendação dos atendentes do Disque-Silêncio é admitida pelo coordenador do setor de Poluição Sonora da Smades, Ademir Gomes de Moura. Ele disse também que às vezes não é possível atender todas as ocorrências. Realmente nós aconselhamos as pessoas a tentarem resolver o problema entre si e que só denunciem quando não conseguirem uma solução, admitiu. Moura disse ainda que o trabalho de fiscalização é feito em conjunto com outros órgãos e que em muitos casos é mais útil para o cidadão chamar a polícia.