Duas pessoas foram presas e outras cinco indiciadas durante a Operação Água Viva, realizada na madrugada de ontem por órgãos ambientais do Estado para combater a pesca predatória na região do Valo Verde, localizada entre Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) considerou a ação a mais importante deste ano, que resultou na apreensão de mais de três toneladas de pescado. A Delegacia de Meio Ambiente (Dema) investiga a possibilidade de formação de quadrilha. O financiador do esquema, conhecido apenas como Branco, é um dos indiciados. Com a operação fechamos o cerco contra os principais articuladores da pesca ilegal, disse o coordenador de fiscalização da Sema, Marcelo Cardoso. Os dois presos, Waldinéia Pedroso da Silva e Edmilson Mendes Martins, prestaram depoimento e um deles afirmou que todo o pescado pertencia a Branco. Com o produto, o mentor receberia cerca de R$ 45 mil. Ele paga R$ 4 por quilo de peixe e revende por no mínimo R$ 15 a restaurantes e supermercados. O acusado é reincidente e responde a outros processos por crime ambiental na Sema. Possui até mesmo uma lancha e uma empresa de pesca no nome da esposa, Antônia Catarina Brandão Ribeiro. Ele (Branco) patrocina com infra-estrutura todo o esquema com redes, tarrafas, barcos. Tem um poder aquisitivo muito grande. Chegou a comprar dois carros, um deles zero, para transportar peixe, disse Cardoso. Os agentes de fiscalização encontraram na região até mesmo um cemitério de carcaças de peixes, onde eram enterradas as cabeças dos alevinos retirados ilegalmente da natureza. Eles retiram a parte que interessa para a venda e no resto precisam dar um fim, para que ninguém descubra o crime, pontuou o coordenador. A Sema aplicou quatro autos de infração, um deles era de R$ 11,6 mil. Até o dia 29 de fevereiro, a pesca é permitida apenas para subsistência em comunidades ribeirinhas, devido a Piracema.