Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive, a sua própria história. As palavras de Bill Gates vão exatamente ao encontro da Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) publicada ontem (22) no Diário Oficial da União. Trata-se de uma norma que visa fomentar a leitura entre detentos de todo o Brasil. Independente do regime seguido (fechado ou semiaberto), cada obra que o preso ler diminuirá quatro dias em sua pena. Conforme a demanda de leitura, o prisioneiro poderá reduzir até 48 dias de sua condenação, total que corresponde a 12 livros. A medida oferece ao leitor prazo de 21 a 30 dias para finalizar o exemplar. Tudo que traz conhecimento é válido. A iniciativa vai proporcionar benefício duplo ao detento. Primeiramente por abater tempo de sua pena e depois por ofertar viagens por outros lugares do mundo por meio das histórias. A vida de um prisioneiro não é fácil e isso vai amenizar o sofrimento de estar encarcerado, defende a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT), Betsey Miranda. Mas não basta afirmar que fez a leitura. Para confirmar a prática, o preso deverá elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária. A comissão avaliadora também observará se as resenhas foram copiadas de trabalhos já existentes. Caso sejam consideradas plágio, o direito de redução de pena será automaticamente suspenso. No Centro de Ressocialização de Cuiabá existe uma biblioteca que disponibiliza aos 1.250 reeducandos mais de 16 mil livros. À frente da unidade há sete anos o diretor, Dilton Matos de Freitas, conta que o hábito de ler ainda é escasso entre eles. Do total de internos, apenas 100 lêem frequentemente. Acredito que a partir de agora a procura vai aumentar de forma significativa. O efeito será, com certeza, positivo, pois eles sairão daqui mais preparados e instruídos para a inserção na sociedade, opina. O participante do projeto inda contará com oficinas de leitura para auxiliá-lo e incentivá-lo a ler dentro das celas, mas também a escrever uma nova história do lado de fora delas.