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CIDADES
Sexta-feira, 22 de Junho de 2012, 21h:00

PRESOS

Leitura ajudará na redução da pena

JÉSSICA BENITEZ
Da Reportagem
“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive, a sua própria história”. As palavras de Bill Gates vão exatamente ao encontro da Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) publicada ontem (22) no Diário Oficial da União. Trata-se de uma norma que visa fomentar a leitura entre detentos de todo o Brasil. Independente do regime seguido (fechado ou semiaberto), cada obra que o preso ler diminuirá quatro dias em sua pena. Conforme a demanda de leitura, o prisioneiro poderá reduzir até 48 dias de sua condenação, total que corresponde a 12 livros. A medida oferece ao leitor prazo de 21 a 30 dias para finalizar o exemplar. “Tudo que traz conhecimento é válido. A iniciativa vai proporcionar benefício duplo ao detento. Primeiramente por abater tempo de sua pena e depois por ofertar viagens por outros lugares do mundo por meio das histórias. A vida de um prisioneiro não é fácil e isso vai amenizar o sofrimento de estar encarcerado”, defende a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT), Betsey Miranda. Mas não basta afirmar que fez a leitura. Para confirmar a prática, o preso deverá elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária. A comissão avaliadora também observará se as resenhas foram copiadas de trabalhos já existentes. Caso sejam consideradas plágio, o direito de redução de pena será automaticamente suspenso. No Centro de Ressocialização de Cuiabá existe uma biblioteca que disponibiliza aos 1.250 reeducandos mais de 16 mil livros. À frente da unidade há sete anos o diretor, Dilton Matos de Freitas, conta que o hábito de ler ainda é escasso entre eles. “Do total de internos, apenas 100 lêem frequentemente. Acredito que a partir de agora a procura vai aumentar de forma significativa. O efeito será, com certeza, positivo, pois eles sairão daqui mais preparados e instruídos para a inserção na sociedade”, opina. O participante do projeto inda contará com oficinas de leitura para auxiliá-lo e incentivá-lo a ler dentro das celas, mas também a escrever uma nova história do lado de fora delas.

Edição EDIÇÃO 16960




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